7 de agosto de 2013 às 11h55min - Por Mário Flávio

Em plena ‘Era da Tecnologia’ as redes sociais muito utilizadas por jovem (eu também sou usuário) têm finalidades peculiares, podem ser um elo de comunicação para novas amizades ou para manter amizades sejam elas em alguns casos apenas “amizade web”. Outro ponto interessante é num sentido de divulgação de eventos ou produtos comercias, quando sabemos que os maiores consumidores do nosso país são jovens, e que em sua maioria costumam usar a internet e em alguns casos chegam a ficar muito mais tempo na frente da tela de um computador que na frente de uma TV.

Em ambos os casos a diversão ou descontração é uma forma eficaz de passar as mensagens desejadas, seja o recado através de desenhos, piadas impressas, charges, vídeos, fotos, textos e etc. Mas tudo mudou nos últimos meses ou anos, surgiu uma “revolta web” contra a corrupção, descaso com os cidadãos e exploração de um humano sobre o outro. Causado por governantes ou representantes do povo (que me representa contra minha vontade) que em suma maioria são extremamente gananciosos, excessivamente burocráticos, corruptos, defensores de consumismo e dedicados ao Capital. Há quem os defendam a quem critique, afinal é seu direito concordar e discordar ou eleger e não eleger. Seja essa colocação via net ou até mesmo pessoalmente em uma rodada de conversa com colegas, amigos e familiares.

As redes sociais perderam sua graça? Penso que não. As “crianças” do Facebook cresceram ou se revoltaram? Talvez, pois quando voltamos alguns anos no tempo, vemos que os jovens internautas tinham pretensões bem mais modestas que os usuários de hoje. Limitando se as conquistas adolescentes através das salas de bate-papo, que durante anos foi a “Mina de Ouro” do UOL, onde dominava o mercado Brasileiro de forma ampla perante seus concorrentes; limitando se a acompanhar notícia de seu time de futebol e curtir músicas ou vídeos recém-lançados por seus artistas preferidos. No entanto devemos levar em consideração que os usuários que a utilizam a socialização web, perceberam aos poucos que ela (a internet), tem um poder escrito que dar voz ao cidadão abafado pelo descarrego de falações da TV! É paradoxo dizer que a escrita é uma voz?

Pode ser! Contudo não deixa de ser um meio poderoso de comunicação recíproca e consequente há no mínimo um dialogo e não um discurso de falante a ouvinte tradicionalmente chamado de meio de comunicação, que na verdade não passam de monólogos. Esse é o grande desafio enfrentado atualmente pelas mídias tradicionais, o que aparentemente chega a nossos olhos é que a medida ou estratégia tomada por grandes redes de comunicação vem de um ditado popular de que diz: se não pode vencê-los juntem-se a eles.

Como um simples usuário dialogador e também acadêmico em história, costumo olhar as minhas antigas publicações no meu perfil do Facebook. E percebi que essa é uma pequena ação muito interessante, pois no sentido de uma compreensão de como pensava antes e como penso agora, as mudanças e continuidades, mas com certeza hoje não somos igual à ontem. E através deste exercício percebi que já fui mais alegre, mas quando me refiro a alegria não estou aqui querendo dizer que vivo triste e amargurado. Não é nada disso! Refiro-me aos recentes acontecimentos em nosso país quem vem revoltando os cidadãos, cidadãos esses que levantam suas cabeças por um tempo e analisam suas situações sociais, e veem um sistema político brasileiro elitista, midiático, carregado de uma politicagem extremamente ofensiva a opinião dos civis, onde temos uma população que está agregada ou submetida a um assistencialismo viciante.

Fico indignado por ver nossos representantes explanarem preocupação em atenderem as necessidades básicas dos brasileiros descarregando números e valores financeiros nas mídias no intuito de confundir a opinião pública. Onde saúde, segurança e educação já viraram bordões eleitorais, enquanto isso os repasses financeiros federais e estaduais aos municípios não falam as mesmas línguas ou mesmos números. Parcerias que funcionam nas campanhas política, e pós são bem sucedidas em beneficio pessoal de cada representante público eleito, e enquanto isso o cidadão que o elegeu verá os frutos da aliança política brotar no jardim do vizinho caso seu vizinho seja o edil.

Me revolto quando vejo a presidente andando no carro de luxo acenando para população, população essa que enfrenta todos os dias transporte público precário e caro. Enquanto isso o transporte público de nossos edis é o “jatinho oficial” para viajar pelo Brasil fazendo turismo e assistir jogos da Copa que nós não podíamos chegar nem perto dos estádios em dias de jogos porque não tínhamos ingressos. Evento que tem gastos incoerentes, desnecessários e ridiculamente disfarçado de empréstimo do BNDS e parece mais a carteira do pai ou a bolsa da mãe, com o interesse de mostrar aos “gringos” que somos uma das grandes economias do mundo, no entanto não podemos esquecer que também temos um dos maiores índice de desigualdade social do mundo. E revolta-me ainda mais abrir um jornal e ver que nossa cidade ou estado é punido por mal uso de dinheiro público. E vejo muitos cidadãos que não dão a mínima para tais notícias, com isso sou no mínimo obrigado a concordar com os muitos “revolucionários do Face” onde inconformados dizem que: o gigante não acordou, apenas levantou foi ao banheiro e voltou a dormir profundamente. Tais fatos aqui descritos acabaram com meu bom humor nas redes sociais e sinceramente não sei quero-o novamente, afinal fomos educados a ser bem humorados e carismáticos enquanto estamos sendo lesados, pois no fim das contas damos conta de nossos problemas com nosso jeitinho brasileiro.

*Jefferson Abraão – membro do Coletivo de Ação e Resistência Popular de Caruaru – CARP


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro