30 de abril de 2014 às 08h16min - Por Mário Flávio

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Na madrugada do dia 28 de abril (segunda-feira), morreu a militante e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto Maria do Socorro Félix (MTST), aos 42 anos. Ela teve importante participação desde os primeiros anos de luta deste movimento em nosso estado, numa trajetória que se estende por quatorze anos desde sua fundação. Maria “dos Sem Teto” fez recentemente uma cirurgia e durante sua reabilitação teve algumas complicações e não resistiu.

Em 25 de novembro de 2008, cerca de 50 famílias ocuparam um prédio público que na época estava abandonado há quinze anos, no Alto do Moura. Após ocupação transformou-se no Acampamento Che Guevara. Participei ao lado dela desta e de tantas outras ocupações, passeatas, protestos, reuniões e marchas. Sua casa era logo na entrada da ocupação e este mesmo local agora já tem construídas as 98 casas da primeira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida. Ao todo mais de 600 famílias sem moradia vão ser beneficiadas pelo movimento popular que luta por moradia digna e reforma urbana. Maria não conseguiu em vida residir em sua casa própria, pois as casas só serão entregues no final de junho, mas certamente a coordenação do movimento abrigará em uma delas sua mãe, filhos e neto.

Compartilho a seguir, minha simples homenagem a uma líder guerreira e amiga que nos deixou tão cedo.

Maria dos Sem Tetos
Mulher militante, em marcha sempre, líder semente, frutos muitas vezes colhidos com lágrimas e dor.
Amiga e companheira de luta, o peito aperta com saudade. Por que tão cedo? Por que tão depressa?

Maria dos Sem Tetos
Mulher negra, filha, mãe e avó, livre e firme, como os pilares de uma comunidade. Não dispensava um chamado pra luta, sabia que da força organizada nascia a utopia.
Disposição e coragem, força e esperança, semente da nova sociedade.

Maria dos Sem Tetos
Mulher herdeira dos sonhos libertários de Dandara, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus, Aqualtune, Tereza Benguela, Anastácia, Antonieta de Barros, e tantas outras negras lutadoras do povo, revolucionária subversiva com espírito de guerreiros ancestrais.

Maria dos Sem Tetos
Mulher como flor, flor como gente, que nasce e transforma-se em semente. Sentirei falta do sorriso amigo, das brincadeiras, da auto-crítica necessária ao movimento, do sempre caloroso abraço e beijo, de sentar contigo em casa, de comer junto, dos planos e segredos de luta e da boa prosa…

Maria dos Sem Tetos
Mulher que lutou e sonhou para que outros conquistassem seu sonho.
Uma liderança que embora tenha nos deixado tão cedo, permanecerá presente na nossa memória e mobilizações.

Maria dos Sem Tetos, Presente! Presente! Presente!

*Paulo Nailson Almeida Lima
Militante no meio cultural e político

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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro