11 de dezembro de 2012 às 13h55min - Por Mário Flávio

Em seu livro O Príncipe, Maquiavel descreve de forma nua e crua os caminhos do poder. Deixa claro o que todo governante faz. Apresentando os problemas e dando conselhos para que o governante consiga ser bem sucedido e se mantenha no poder.
Ele ainda fala sobre os diferentes tipos de Estados e fala sobre a facilidade em dominar determinados territórios que não estejam habituados à liberdade.

O que ocorre hoje em dia, é que a falta de liberdade vem camuflada. Será que não podemos tratar a carência de liberdade como à falha de conhecimento? O descaso com a educação?
Calma, se você ainda não percebeu a relação entre educação e liberdade, lembre-se que uma pessoa inculta é mais fácil de alienar e manipular. Acredito que em nossos dias a principal barreira para um pensamento livre, seria sim, a ignorância!

Onde quero chegar? Bem, política tem vários significados no dicionário, desde “Cerimônia, cortesia, civilidade” até “Astúcia, maquiavelismo”. Sendo assim, podemos dizer friamente que os governantes de hoje, tem muito de O Príncipe de Maquiavel de séculos atrás. E talvez boa parte do que você conhece como democracia foi gerada por governantes que pensam exatamente assim. Conduzem seu povo, dissimulando suas opiniões e quando já não convencem pela persuasão, usam da força, do descaso e até da imposição.

Infelizmente, a política Caruaruense não está imune aos ensinamentos maquiavélicos.
Mesmo estando aqui em São Paulo, recentemente recebi algumas notícias que me fizeram lembrar de alguns tristes ensinamentos. Quando soube da proposta de aumento CONSIDERÁVEL nos salários dos vereadores do município, lembrei-me de quando o autor escancara a relação de troca de favores que existe na política.

Afinal, como ele disse: “convém que enriqueçam, por certo, pois que me servem incondicionalmente”. É… parece, que agora chegou a hora dos NOBRES vereadores receberem seus despojos, após servirem fielmente na batalha eleitoral. Permaneçam ao lado do príncipe e serão beneficiados.

E nessa ânsia de receberem os espólios dessa guerra, demonstram total desprezo pela vontade popular, esquecendo completamente quem é o verdadeiro detentor do poder no regime democrático.

Isto fica evidente quando se observa frases deste tipo: “Se alguém acha muito ou pouco, cada um vá pra rua pedir voto e venha pra cá”, “Quando o salário do prefeito ou vereador é baixo, eles buscam outras vantagens, por isso há tanta corrupção” ou ainda “Não tenho medo da imprensa e nem de protesto, voto na hora o aumento”. Fica claro pra qualquer um, que nessas declarações o que menos importa é a opinião da população.

As citações que acima foram ditas respectivamente pelos vereadores Leonardo Chaves, Lícius e Zé Ailton causaram em mim e em algumas pessoas do meu convívio, revolta e indignação. Não apenas pela irrelevância com que tratam a população, mas pelo cinismo em justificar um ato tão abominável como é à prática da corrupção. É vergonhoso!

Não existem barreiras sendo interposta a vontade do aumento salarial dos vereadores. Até o momento, existe um silêncio de consentimento e bastante conveniente por parte do prefeito e também da população.

Cerca de mil pessoas se mobilizavam nas redes sociais, programando uma grande manifestação para a reunião da câmara da semana passada (o que ainda é muito pouco, já que nas últimas eleições o TRE calculou mais de 200 mil eleitores na cidade). E na verdade, cerca de 20 pessoas realmente compareceram! A indignação que até então era por esse aumento salarial (DESNECESSÁRIO), se torna também pela falta de seriedade em que a população vem tratando esse assunto.

O que as pessoas não percebem ou se fazem de bobas, é que tudo reflete na sociedade. Esse aumento, que vem em um momento “difícil”, mantém os professores do município recebendo uma miséria para levar nas costas o peso de uma sociedade ignorante, que em sua maioria desconhece seus direito e assim não conseguem ter a força necessária para mudar tudo isso.

No ultimo edital para seleção de professores (da área de educação física) do município, a base salarial era de 900 reais, para uma jornada de 20hs semanais. Um vereador que ganha cerca de 9 mil por mês, trabalha “sofridas” 8hs SEMANAIS, somando as reuniões semanais. Não existe uma determinação no regimento interno da câmara sobre a quantidade de horas diárias que um vereador deveria trabalhar, constando apenas a determinação das horas de duração das sessões: 4h. E estas acontecem duas vezes por semana. Fazendo uma soma boba, 4+4 é: 8.

Em tal caso, estão achando pouco 9 mil reais? Se coloquem então no lugar desses professores! Muitos deles têm mais de um concurso ou contrato para conseguirem complementar sua renda familiar.

O que se vê é uma total falta de empatia por parte dos “Príncipes” para com seus “súditos”. Não existe uma preocupação real sobre o que a sociedade necessita. Se colocar no lugar do outro e assim ver onde realmente o calo aperta, simplesmente não acontece!

Li um texto recentemente que falava sobre doar um pouco de si para ajuda o próximo, e o texto terminava com a seguinte frase: “… com o meu dinheiro, faço coisas nas quais acredito”. Talvez por ter esse mesmo pensamento o presidente do Uruguai doa por mês 90% do seu salário para obras sociais e consegue viver com cerca de 775 dólares, mais ou menos o que recebe a média da população uruguaia.

Filantropo? Não! Ele apenas acredita na política como algo maior, como principal ponto de mudança de uma sociedade desigual.
Então, quando vejo políticos tão engajados em uma mudança totalmente contrária a realidade da sua população fico me perguntando, estes são de fato, os verdadeiros representantes do povo. E a pergunta que eu faço aqui de São Paulo é a mesma que espero ver da população presente: Vereadores, em que vocês acreditam?

*Aline Feitosa é jornalista


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro