13 de março de 2013 às 18h54min - Por Mário Flávio

O dia 12 de março teve um duplo significado para o grupo do vice-governador João Lyra. Ao mesmo tempo em que celebravam o centenário de seu pai, João Lyra Filho, relembrando as contribuições realizadas por sua família à sociedade caruaruense, também foi o momento de anunciar o desfecho de um assunto mantido pendente há quase dois anos, a sua desfiliação do PDT e sua entrada no PSB. O impacto e a dimensão da decisão tomada pelo vice-governador é a materialização de vários embates e arranjos que estão ocorrendo em diversas esferas de poder, da macro, a nacional, passando pela estadual e desaguando na local, Caruaru.

Na esfera nacional, a briga é pelo comando nacional do PDT, numa tentativa de arrebatar o partido das mãos de Carlos Lupi e com isso provocar a renovação do partido em nível nacional e estadual. Envolvido em vários escândalos, o que provocou a sua saída do Ministério do Trabalho, Lupi se mantém firmemente no comando do partido. Numa teia de relações bastante confusa, na qual ele é apoiado pelos dirigentes regionais que se eternizam nos diretórios estaduais e, em contrapartida, é mantido no cargo por eles. Existem várias lideranças descontentes em Pernambuco com os rumos da legenda: o deputado federal Paulo Rubem, o presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchôa, e o próprio João Lyra. Todavia, só com a queda de Lupi poderiam os mesmos arrebatar o partido das mãos de José Queiroz, aliado de primeira hora de Lupi e prestigiado pela direção nacional.

Apesar dos esforços do ministro Brizola Neto, com o apoio da Presidente Dilma, a queda de Lupi é uma alternativa cada vez mais distante.  Junta-se a esse imbróglio a percepção que mesmo com a saída ou até mesmo permanência de Lupi, é grande a possibilidade do PDT apoiar a reeleição de Dilma, já que essas conversas com o Eduardo Campos são mais vistas como uma estratégia do PDT em valorizar seu passe junto ao PT. E sendo assim João não continuaria num partido que não tenha a possibilidade de estar no mesmo barco que o Governador.

Em nível estadual, a saída de João Lyra para o PSB o qualifica para estar entre os postulantes a sucessão estadual, já que só numa situação excepcional o PSB abriria mão de ser o cabeça da chapa para outro partido nas próximas eleições; como barganha talvez pelo apoio do PTB em nível nacional ao projeto presidencial de Eduardo Campos. Afinal porque entregar a máquina estadual a um aliado após os resultados obtidos pela gestão estadual? Ao migrar para o PSB João se gabarita à sucessão de Eduardo Campos, disputando a indicação do partido, e ao antecipar a sua saída do PDT, não seria mais visto como um cristão novo, mais sim prata da casa.

Já na esfera local, a migração de João Lyra para o PSB, torna evidente o distanciamento existente entre ele e Queiroz, apesar da tentativa de reaproximação feitas pelo prefeito no pós-eleição, coincidentemente no período  em que se aventou a possibilidade de renúncia de Eduardo e João passou a estar cada vez mais próximo da cadeira de Governador. Sair do PDT significa ir para uma legenda com uma representatividade em Caruaru, livre da tutela irrestrita de Queiroz e que sirva de plataforma para ecoar os projetos políticos do seu grupo. Os únicos senões a essa migração são as costuras de bastidores realizados para acomodar o Vice Governador no partido, já que o PSB caruaruense está na base do prefeito e é comandado por Laura e Jorge Gomes, ambos com sonhos em também assumir a Prefeitura Municipal.

No momento atual, tal qual o conclave, somente vemos a fumaça branca emergir para indicar o término das articulações. Porém, só aos poucos saberemos o teor das negociações envolvidas nos bastidores dessa passagem. O que fica de claro nesse processo todo é que está em gestação a consolidação de um novo projeto de poder para Caruaru como alternativa à inchada e paquidérmica Frente Popular de Caruaru.

*Mário Benning é analista político e professor no IFPE


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro