13 de janeiro de 2012 às 10h30min - Por Mário Flávio

Nas redes televisivas o que mais se comenta é a questão da migração dos viciados da rua chamada como cracolândia – SP. Embora seja uma atitude a priori demasiada, no intuito de promover “liberdade” para os que por ali passam diariamente. É algo que se precisava fazer, mas, diferente. Entretanto, sabemos que a situação é outra, estes indivíduos passam a se deslocarem para calçadas, becos, vielas e ruas paulistana no intuito de sobreviver.

Assim acontecesse com o nosso Estado. As construções e reformas que estão sendo feitas em nosso Estado é visível a quase toda população recifense e a todos que lá visitam. Embora as verbas destinadas às construções de novos viadutos, cidade da copa e tudo que envolve este evento, venham da CBF e sua instituição financiadora, devemos nos questionar, como vai ficar os moradores de rua, as famílias que ainda vivem nas ruas?

Fechar os olhos para a realidade é calar a voz para o lógico e visível. Se voltarmos às Copas anteriores, poderemos destacar a Copa realizada na África, quando ao lado de um campo de futebol que custou 3,8 bilhões em média estava situada uma escola com o teto danificado e ariscado até cair. Quando sabemos de uma barbárie dessas é questionável e percebemos o quanto a política mundial é desumana. Está sendo construído o estádio de certo de time de futebol no intuito de sediar a abertura da copa de 2014 no Brasil. Mas não fazem algo efetivo no intuito de tirar das ruas pessoas que precisam de apenas apóio.

Sabe-se que existem pessoas que não ligam para onde vivem e acreditam seriamente que ali é seu destino, mas felizmente existem pessoas que acreditam na ressocialização  destes indivíduos, que moram nestes lugares abandonados pelos poderes públicos. A não ser que, quando chegar a política, época de eleição, a situação mude. Não podemos enxergar estas situações apenas nas épocas de voto, devemos como cidadãos mobilizar, articular os nossos jovens, que, cada vez mais, estão carentes de buscar sentido para sua vivência.

Não podemos achar comum ver crianças e adolescentes sendo massacradas, trabalhando exploradamente por seus pais e achar que isso é normal. É precário a vida de todos que vivem na rua. É. Mas isso não significa que podem, devem ficar na situação de miserabilidade.

Gastar com obras para agradar àqueles que vêm de fora, que vem explorar nossas crianças e adolescentes de forma absurdamente desumana, como se aquelas não fossem gente como nós, torna-se absurdo.

É importante esta articulação para a copa de 2014, é sem dúvidas, mas é sem dúvidas construir mais espaços de internação e tratamentos para estas crianças e adolescentes que estão agora neste momento nas ruas sem abrigo e utilizando de coisas toxicas. É importante também, perceber que aqueles sem apoio (as ONG´s) vivem sem dinheiro para suportar os dependentes químicos por não terem ajuda do governo.

É preciso olhar mais, sentir mais pelo outro. A humanidade precisa URGENTE de afeto, de carinho, de sentimentos. Será que viveremos uma época em que nossos filhos/as não saberão o que é amar o próximo?


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro