8 de março de 2013 às 15h25min - Por Mário Flávio

Comemoramos hoje o Dia Internacional da Mulher e não poderíamos deixar de verbalizar algumas ideias a respeito do que representa o “ser mulher” na atualidade. O censo de 2010 mostrou que ainda somos a maioria no país – os resultados mostram que existem 95,9 homens para cada 100 mulheres, ou seja, existem 3,9 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil.

Mas isso não é tudo. Em dez anos, o nível de instrução das mulheres continuou mais elevado que o dos homens e elas ganharam mais espaço no mercado de trabalho. Pesquisas apontam, ainda, que temos nível de instrução mais elevado do que os homens e estamos cada vez mais presentes em cargos de chefia. Isso tudo se levando em conta que só tivemos direito à educação superior há pouco mais de 130 anos, ao voto há 81 anos e à igualdade plena há pouco mais de duas décadas.

Somos mesmo guerreiras. Não as dóceis “Mulheres de Atenas” que “quando fustigadas, não choram; se ajoelham, pedem, imploram mais duras penas”, ou tampouco a “Amélia” que se limitava às lides domésticas e, ainda assim, “aquilo é que era mulher”.

No Dicionário Aurélio somos um verbete, vindo do latim muliere, que nos traduz como “ser humano do sexo feminino, capaz de parir outros seres humanos e que se distingue do homem por essas características”. Somos, sim, leoas, que se desdobram em duas ou mais para dar conta da dupla jornada de trabalho – no emprego e no lar – e da multiplicidade de papéis e atribuições.

Será que temos algo a comemorar? Sim, sem dúvidas… Apesar de os homens receberem, em média, 51% a mais do que nós pelo mesmo cargo, apesar de ainda sermos vítimas de preconceitos os mais tolos possíveis, de perseguição e assédio sexual, e de violência, principalmente familiar.

A Anistia Internacional denunciou que vinte em cada cem mulheres no mundo são diariamente torturadas. A tortura, segundo o relatório “Mulheres que são destruídas”, está enraizada numa cultura em que todas as partes recusam às mulheres a igualdade de direitos com os homens e trata de legitimar a violência contra elas.

E que violência! Números do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e pelo Dieese, mostram que quatro entre cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. E o mais triste é constatar que a maioria absoluta dessas agressões partiu de dentro de casa.

Nos últimos 30 anos, 92 mil mulheres foram mortas no Brasil vítimas de violência doméstica. Na última década, foram quase 44 mil. A Polícia Civil também registrou aumento no número de casos de agressões a mulheres em Caruaru, no nos últimos seis anos. Somente em 2012, já foram 1.287 queixas do tipo. Em 2011, 1.300 boletins de ocorrência foram abertos na Delegacia da Mulher de Caruaru.

A injustiça não é só nessa área. Na Previdência Social, por exemplo, milhares de brasileiras não são vinculadas ao INSS, ou seja, não têm qualquer proteção previdenciária. Para elas, o futuro é mais do que incerto e a velhice certamente não será tranquila. Apesar disso, e contrapondo-se a esses dados, é interessante saber que mais de 30% das famílias pobres do Nordeste são chefiadas por mulheres.

Temos, sim, que comemorar, pois somos antes de tudo sobreviventes. Sobreviventes à indiferença, à violência, ao preconceito, ao desamor, à injustiça. E hoje, nossa homenagem vai para nós mesmas: Marias, Severinas, Josefas, Franciscas, Graças, Paulas, Anas… A estas e todas outras, nossa grata homenagem.

*Miriam Lacerda é ex-deputada e Presidente do Movimento Mulher Democratas


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro