21 de junho de 2013 às 09h55min - Por Mário Flávio

Já assisti jovens com as caras pintadas a gritar “Fora Collor”. Itamar Franco e Fernando Henrique também enfrentaram seus protestos. Agora vejo jovens a dizer que o governo do PT é que não presta. Começo a suspeitar que nossa juventude não sabe o que quer: proibir a corrupção ou exigir um governo verdadeiramente representativo, não uma farsa? Hoje vejo aguerridos militantes de José Queiroz programando-se para uma passeata de protesto contra o governo municipal, que eles mesmos ajudaram a eleger. Chego a pensar que o problema definitivamente não está com os políticos, mas com o povo. Esses mesmos manifestantes também têm motivos de sobra para reclamar de Tony Gel etc.

Façamos um exame de consciência e reconheçamos que valorizamos a esperteza, o jeitinho, o eu-primeiro etc. Desde que não me atinja finjo que não vejo. Enriquecer e ter é mais valorizado do que a moral, a família e o respeito às normas. Sairemos às ruas por mudanças? Pois que elas comecem por nós mesmos: Que tal deixar de tirar cópias dos trabalhos escolares e coisas pessoais nas empresas e repartições onde trabalhamos? Por que ‘puxar’ a internet ou a tv a cabo do vizinho? Fazer ‘macaco’ na energia elétrica, ‘jacaré’ na água e ‘gato’ no telefone?
Fraudamos a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Somos impontuais e achamos isso normal! Cortamos as árvores das calçadas porque suas raízes quebram a cerâmica do piso, sujam de folhas e nos dão ‘trabalho’ ou dão sombra e ar fresco para outros estacionarem seus caros à nossas portas. Odiamos o verde e estamos a fazer de Caruaru uma cidade desértica!
Por que jogamos lixo nas ruas e no meio ambiente, pichamos prédios, monumentos e casas e depredamos o patrimônio público?

Sabemos votar? Ou votamos quase sempre por interesses pessoais, desde que aquele candidato arrume um contrato na prefeitura, de preferência para ganhar bem e não trabalhar ou outro benifício qualquer? Respeitamos as pessoas de idade avançada, ou mulheres com criança nos braços, ou incapacitados, que ficam em pé nos ônibus, enquanto sentados fingimos que não vimos ou que estamos a dormir para não dar o lugar? Damos prioridade aos pedestres nas faixas e nos preocupamos com os outros quando estamos na direção de um carro?

Condenamos de fato a corrupção ou somos daqueles que ‘molhamos’ a mão do guarda para não sermos multados, isto quando não ligamos para o ‘amigo’ ou conhecido superior? Respeitamos as filas ou sempre que aparecem oportunidades, as furamos? Guardamos o troco a mais recebido no caixa? Enrolamos aula fingindo que a matéria está a ser dada? Ou estamos no papel de fingir que estamos a participar da aula? Deixamos a apostila aberta na matéria dada, mas a usamos como apoio enquanto jogamos forca, batalha naval ou jogo da velha?
Marcamos só o gabarito na prova em branco, filando do vizinho, alegando que fizemos as contas de cabeça?
Compramos na feira uma dúzia de quinze laranjas?

… Estamos a protestar para quê mesmo? Para que baixem as tarifas dos transportes públicos e o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde ou a roupa nova e de marca para a festa no Pátio do Forró? … Estamos a desabafar sobre o quê mesmo? Se estacionamos em lugares proibidos ou reservados para deficientes e idosos; Se falamos ao telefone móvel enquanto dirigimos;
Se cortamos pela direita nos acostamentos num congestionamento;
Se pedimos atestados médicos sem estarmos doentes, só para faltarmos ao trabalho; Se diminuímos as idades de nossos filhos para que estes passem por baixo das catracas dos ônibus, para não pagarmos passagens, ou para pagarmos mais barato em parques e cinemas, enquanto ensinamos a ‘não mentir’, Exigimos honestidade?!

Condenamos os políticos?! Mas se esses políticos saíram desse mesmo povo que os elegeu? Queremos mudanças em Caruaru, em Pernambuco, no Brasil? Pois que comecemos por nós mesmos!

* Moisés Bonifácio é professor e agente de Viagens


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro