30 de agosto de 2013 às 10h55min - Por Mário Flávio

Em novembro os mais de um milhão e meio de filiados do PT em todo Brasil vão as urnas eleger seus dirigentes para os próximos anos na federação, nos estados e nos municípios. Um processo que já se iniciou e os candidatos estão em plena campanha. Quem vai conduzir a política partidária, no país, Pernambuco e em nossa cidade? Os rumos e decisões sobre 2014 e 2016, linha e estratégias de atuação, o que vai predominar?
Nesta sexta, 30, é o prazo para registro no Sisfil (Sistema de Filiação) dos que participaram das plenárias de filiação e também da quitação pelo menos do semestre.

Com estes nomes nas mãos, os mais de 2 mil e quinhentos filiados de nosso município podem ser reduzidos e ai sim, começa a corrida pelo voto. Já no dia 11 de setembro se define as chapas e os possíveis candidatos a presidir, tendo então até lá possibilidades de acordos e entendimentos. Todo esse processo é muito válido, pois fomenta a discussão sobre conjuntura e sobre o partido.

O discurso pela unidade dentro do partido é ecoado nos quatro cantos da nação. Infelizmente em muitos casos o que vemos é uma união circunstancial, quando se chega a um consenso até mesmo para ocupação dos cargos internos, porém, passado o processo eleitoral, há um relaxamento nas atividades organizativas e conseqüentemente muita “promessa de campanha” é negligenciada.

PARA SE COMPREENDER MELHOR AS TENDÊNCIAS
Eu ainda alcancei o tempo em que as tendências se organizavam em torno de concepções ideológicas e estratégias políticas, isso gerava as propostas de programa para o partido. Tínhamos núcleo de base funcionando de fato com reuniões para estudo e plano de trabalho e não para fins eleitoreiros. Nos últimos anos o que mais se ver são reuniões com base apenas nas referências parlamentares ou de gestores do executivo, sem que representem necessariamente um pensamento estratégico diferente. Há quem defenda que anteriormente era assim: havia militantes e seus lideres, e hoje funcionários e seus chefes.

Não sei se chega a tanto, mas não se pode negar que os interesses hoje são imediatistas em torno da ocupação de espaços/cargos ou de benefícios das políticas públicas, somando para fragilizar o partido, até mesmo eleitoralmente, pois enfrenta uma sociedade cada vez mais crítica. Mesmo no caso das tendências intransigentes, isso acabava ajudando a fomentar crescimento.

Com tudo isso as tendências representam os agrupamentos políticos internos do PT desde a sua fundação, são regidas por regimento interno e amparadas pelo Estatuto. Algumas ajudaram a fundar o partido e permanecem nele, como a Democracia Socialista (DS), que no caso de Caruaru está convergindo apoios para candidatura de Adilson Lira. Outro fato curioso sobre a DS é que o atual secretário estadual agrário do PT foi o primeiro presidente da história do PT em Caruaru, Renato Carvalho, ainda na sua formação em 80 e o pessoal da DS prevaleceu majoritário por muitos anos na legenda.

A CNB (Construindo um Novo Brasil) é a antiga Unidade na Luta (1983), no passado chamada de Articulação, majoritária dentro do PT. Dez anos depois um racha gerou a Unidade na Luta e Hora da Verdade, atual Articulação de Esquerda (AE), tendência que militei enquanto permaneci filiado.

O quadro atual em Pernambuco mostra um campo tido como mais a esquerda do partido, denominado Mensagem ao Partido e nesse campo as tendências do MAIS (Louise e Elba fazem parte da chapa nacional) e DS (Adilson) estarão unidas defendendo a candidatura de Teresa Leitão para o PT estadual e Paulo Teixeira nacional. E então porque não se unem também aqui?

A resposta não é tão fácil. O argumento de Adilson é que teria apenas a presidência e não o poder das decisões, e uma vez que todos os demais agrupamentos estão num mesmo nível, fragilizados, ninguém teria maioria ampla. Mas na nossa cultura presidencialista e personalista (inclusive vivenciada por muitos no PT) não é tão simples assim, e Louise consciente disso está certa em esgotar todo tempo necessário para maturar com seu grupo a decisão que contemplar melhor o que pensa para o partido.

O MAIS teve crescimento muito rápido e ninguém pode questionar sua consistência, até mesmo pelos resultados que acumula dentro da gestão de Queiroz. Se a gestão está ou não em sintonia com o que o partido historicamente sempre defendeu ai já é outra questão. Ser ou Fazer parte da composição do governo acaba reduzindo o partido a mero instrumento de governabilidade dele, o que é desgastante.

Continuando no campo das tendências tem a AE com dois componentes no diretório atual, Henrique e Beatriz, e com Djair como aliado importante, a AE tem base nos movimentos sociais, porém também necessita reavivar seu trabalho; e CNB com Divanilson que está dando fôlego novo à mesma principalmente por conseguir transitar bem em todas e todos os lugares.

OS SEM TENDÊNCIA
O retorno de Rogério Meneses o coloca de volta em cena, visitando seus filiados. Ainda tem Wilon (que chegou a lançar candidatura e retirou para apoiar Adilson) com penetração no meio político-social e Herlon, que já militou com Meneses, teve o apoio do MAIS na candidatura para vereador e é o atual presidente, também ensaiou candidatura própria, mas abriu mão de ser candidato reforçando apoio a DS.

O que está em jogo é o projeto de poder. Esse projeto passa pela disputa no comando, pois quem tem maioria consegue de fato conduzir o diretório. Faz isso em ações ou em omissões. A próxima direção deve conseguir trazer um novo dinamismo no partido e uma nova relação com a gestão na qual está inserido. Precisa fazer autocrítica e rever sinceramente o que errado.

Tem que recuperar a capacidade de vocalizar a indignação das manifestações que estão acontecendo, mesmo que seja “com tudo que está aí”, abandonando a incorreta idéia de que ser governo impede o PT de tomar atitudes mais ousadas posicionando-se ao lado dos oprimidos, ou logo cairá no descrédito, sem mais nenhuma referência com as bandeiras de origem.

MÍNIMO A CIMA DE 700 – O novo valor do salário mínimo deverá ser R$ 722,90, segundo anúncio feito pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Ela esteve no Congresso para entregar ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a peça orçamentária de 2014. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 678. O texto deve ser votado pela Câmara e pelo Senado até o fim do ano. O reajuste passa a valer em 1º de janeiro de 2014.

A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA – A canção “A CARNE”, música de Marcelo Yuka, Ulisses Cappelletti e Seu Jorge, retrata uma realidade ainda hoje sofrida pelos negros: Que vai de graça pro presídio / E para debaixo de plástico / Que vai de graça pro subemprego / E pros hospitais psiquiátricos.

De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais – que incluem emprego, saúde e educação – entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.

DONADON – Dos 513 deputados da Câmara, 104 não votaram na sessão da noite desta quarta-feira (29), apesar de 50 desses 104 terem registrado presença na Câmara. Na sessão, os parlamentares rejeitaram a cassação do deputado Natan Donadon (sem partido-RO). Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 13 anos de prisão, Donadon escapou da cassação por 24 votos, embora o presidente da Casa, deputado Henrique Alves (PMDB-RN) o tenha declarado afastado do mandato devido ao cumprimento da pena de prisão no presídio da Papuda, em Brasília.

A FRASE DA SEMANA:
“Ora! o que será que esses deputados temem tanto? Porque entre eles mesmos não declararam abertamente seus votos? ‘Quem disso cuida, disso usa”. Prof. Carlos Silva, assessor parlamentar e sociólogo, sobre o voto secreto dos Deputados na absolvição de Donadon.

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Cursa Serviço Social. Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro