12 de agosto de 2013 às 17h25min - Por Mário Flávio

Em 1998, Lisboa sediou a Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que recomendou à ONU a instituição do Dia Internacional da Juventude, comemorado desde 1999 no dia 12 de Agosto. Todos os anos, este dia é celebrado com a atribuição de tema específico e em 2013 a ONU elencou como questão prioritária a contribuição dos jovens migrantes, tanto para os países de origem, quanto para os de trânsito e destino.

Mais de 10% dos migrantes do mundo são jovens, que partem de seus locais de origem em busca de melhores perspectivas de vida, mas também de conhecimento acadêmico e de intercambio cultural. Ao transferir seu domicílio, esses jovens contribuem para a diversificação cultural e para a construção de um mundo onde a diversidade não seja a causa de estranhamento, mas de desenvolvimento das relações humanas.

É claro para nós que as dificuldades encontradas por esses jovens também são muitas: xenofobia, risco de exploração (sobretudo a exploração sexual), subemprego, racismo, etc.

Ao mesmo tempo em que o fluxo migratório origina riscos e potencialidades, também é sintoma do desenvolvimento desigual das sociedades e da falta de garantia de direitos fundamentais em muitos lugares do mundo.

O Brasil tem percebido de forma bem especial as mudanças nesse fluxo. Embora o movimento de imigração (vinda) de pessoas tenha sido fundamental para a construção de nossa identidade nacional diversa, as últimas décadas foram marcadas pelo movimento de emigração (saída) principalmente de jovens que buscavam na Europa, Estados Unidos e outros locais, oportunidades de emprego e renda mais compatíveis com seus sonhos. Na última década, porém, essa relação tem se invertido. Basta sabermos que entre 2009 e 2010 houve um aumento de 67% na concessão de vistos de permanência e os processos de naturalização dobraram de 1.056 para 2.116. Em 2011, calculava-se que além de mais de 600 mil imigrantes ilegais, havia no Brasil cerca de 2 milhões de estrangeiros legalmente estabelecidos.

Não é coincidência! Entre os fatores que provocaram essa inversão estão traços conjunturais internos e externos: Internamente, a retomada do papel do Estado como indutor do desenvolvimento que prioriza o crescimento da riqueza com distribuição de renda e fomento às oportunidades de emprego e formação fez com que o país conseguisse dar novas perspectivas à população, aumentando a produtividade e fazendo com que voltássemos a crescer de fato e de direito. Ao mesmo tempo, a crise internacional que se alastrou pela Europa e Estados Unidos fez com que aqueles países já não fossem vistos de maneira tão atrativa para quem vivia em países subdesenvolvidos e concomitantemente, fossem adotadas políticas de austeridade que limitaram a capacidade de absorção de mão-de-obra, bem como o desenvolvimento das carreiras naqueles países.

No que diz respeito ao restante do mundo, a juventude brasileira tem muito o que comemorar, pois diferentemente da movimentação que se vê no mundo, o Brasil tem solucionado seus problemas com uma lógica inversa àquela defendida pelos economistas conservadores e analistas de ortodoxos. Aqui, a prioridade é investir em educação, interiorizá-la e dar aos jovens a oportunidade de contribuir com a produtividade de um país que se reconstrói em diversos ramos da economia, como a indústria naval e a construção civil. Essas oportunidades só são possíveis porque o Estado resolveu priorizar o investimento, ao invés da poupança, lançando mão de seus recursos para desenvolver-se, sendo enfim, ousado!

A ascensão econômica de milhões de brasileiros incide direta e indiretamente sobre a juventude, que quando não é beneficiária das iniciativas governamentais, é sustentada pelos beneficiários.

Desafios? Claro que temos: Como fazer para essa juventude participar mais das decisões políticas? Como garantir que o que foi conquistado não sofra retrocessos, tornando nossas vitórias políticas de Estado e não de governo? Se a juventude já tem comida, diversão e arte, é óbvio que ela vai querer participar mais, influenciar mais, mudar mais!

O poder público deve ser parceiro nessa evolução que só poderá acontecer com o protagonismos desses sujeitos que estamos tirando da marginalidade política. Esse processo serve de aprendizado para todos nós: Para quem já lutou e luta por essas mudanças não achar que já fez tudo e para quem está chegando agora fortalecer as lutas de quem já conquistou muita coisa, afinal, a construção é fruto do que veio antes! Se hoje lutamos por melhores condições nos campi universitários do interior, por exemplo, é porque muita gente lutou pela interiorização. Se lutamos por mais vagas de estágio, é porque antes muita gente lutou para que existisse a regulamentação do estágio com qualidade e não como alternativa mais barata de mão-de-obra e por aí, vai.

Firmes na luta, sigamos!

*Marcelo Serra Diniz, gerente de Articulação e Planejamento da Diretoria de Juventude de Caruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro