18 de dezembro de 2013 às 21h34min - Por Mário Flávio

Quem viveu a jovem guarda lembra bem desta canção. Sucesso da banda “Os Incríveis”, que completou 50 anos de carreira este ano. Canções memoráveis como “Era um Garoto que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones”, “Eu Te Amo, Meu Brasil”, “Marcas do que se Foi”, “O Milionário” e a citada aqui “O Vagabundo”. Engenheiros também regravaram este sucesso. Há dois tipos de vagabundos: aqueles que “como eu”, trabalham de domingo a domingo, com atividades múltiplas e outros que, segundo o dicionário é “quem caminha sem rumo determinado; que vive de maneira desocupada; que não tem vontade de realizar suas tarefas, desprovido de honestidade; malandro ou canalha.”

Lamentavelmente um Edil se referiu ao segmento cultural do tipo pejorativo. Nós, digamos assim, os bons vagabundos, dormimos ontem alegres e aliviados, com a consciência tranquila por mais uma tarefa cumprida. Foi uma noite linda, memorável para cultura. O Diretor Djair estava conosco, o presidente André Alexei ligou e passou mensagem parabenizando a equipe pela dedicação e conquista. Infelizmente logo cedo da manhã seguinte eu acordei já com a ligação de um companheiro de luta, que dedica sua vida historicamente na cultura, também chamado de desocupado ontem, Severino Florêncio, compartilhando comigo a notícia que logo ia tomar conta das manchetes dos principais órgãos de imprensa do Brasil, que foi a prisão dos vereadores acusados de concussão, descrito no código penal como a exigência de vantagem em função do cargo ocupado pelo servidor público.

Em seguida outra “vagabunda” militante, Yanara Galvão, eleita presidenta da Federação Pernambucana de Cineclubes, também me liga e juntos ficamos refletindo sobre esse ato que, apenas revela o despreparo do ex-vereador. Saímos ontem celebrando o momento “divisor de águas”, como disse Demóstenes Veras, da “noite espetacular” citada por Gilberto de Dora. Marcelo Gomes fez justiça ao recordar que o projeto de lei amadurecera em várias reuniões, conferências e debates com o próprio segmento. E Leonardo Chaves, com maestria e experiência citou a relevância dos direitos culturais e a atitude do prefeito no encaminhamento do projeto.

Vale salientar que o executivo todo, a partir do presidente da Fundação de Cultura e Turismo André Alexei nos deu todas as condições e liberdade de fazer tudo que fosse necessário para que a Lei do Sistema Municipal de Cultura viesse a existir. Por sua vez, o diretor de Ações Culturais Djair Vasconcelos ofereceu estrutura e acompanhamento e o prefeito em nenhum momento vacilou, seguindo passo a passo as orientações do Ministério da Cultura e encaminhando em tempo hábil o projeto para que, se possível, fosse votado ainda este ano.

Os vereadores se abriram para receber em diversas ocasiões os artistas para conversar sobre o projeto. As comissões e os departamentos foram ágeis e na votação, com exceção do dito cujo, todos reconheceram a importância do Sistema.

O DIA SEGUINTE – O evento ocorrido precisa ser refletido profundamente pelo povo. Quem se deixa comprar por candidatos trocando seu voto por bens materiais e valores é parte deste podre sistema. Quem alimenta a corrupção é essa estrutura montada mundialmente, não sejamos ingênuos, mas há casos e casos e eu prefiro acreditar que nem tudo está perdido.

Prefiro crer que, assim como a justiça permite, os vereadores detidos terão condição de se defender e os que provarem sua inocência voltarão a atividade. Creio que deveria ser pensada uma nova cultura onde o servidor se orgulhasse de servir, incluindo promoção por mérito e não por barganha eleitoreira ou apadrinhamento. Salários dignos entram neste item.

A polícia investigou e fez sua função, a imprensa também. Que nasça nos novos edis um sincero desejo de frear com essa louca e avassaladora ganância. Não sei se estou feliz. Anseio para que minha cidade seja lembrada por exemplos que dignificam a vida humana e nos tornam melhores. Desejo ardentemente que quem detém o poder em suas mãos e estejam agindo de má fé que permitam que o ocorrido mude suas atitudes. Penso que a posição mais coerente é de ser solidário com os que choram, mas quero ver a justiça triunfar.

*Paulo Naílson atua na Cultura e colabora semanalmente com o blog.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro