21 de novembro de 2012 às 07h55min - Por Mário Flávio

Incontestavelmente, a história demonstra os vícios que foram herdados da má utilização da máquina estatal e da formação de dinastias políticas, densificando cada vez mais as práticas deletérias que vão de encontro ao princípio republicano. No entanto, é possível analisar com clareza a preocupação que se teve ao longo da evolução da história brasileira em expurgar a formação de conglomerados políticos que deturpavam o interesse precípuo da utilização da res pública, que é o de resguardar primariamente os interesses da sociedade ao invés de almejar interesses privados. Sendo assim, consiste em um truísmo afirmar que o tema a ser discutido é de total importância para a devida condução da coisa do povo, haja vista que muito se tem discutido acerca das possíveis máculas à democracia e, por via de consequência, à sociedade que tal prática pode vir a ensejar.

De forma incidental é de se ratificar: No estado de Pernambuco ainda encontram-se vestígios de Ditadura. O termo ditadura, stricto sensu, pode ser empregado para definir os autênticos amantes do poder que se perpetuam por anos em cargos políticos. Deveras, o poder e o status, ainda o realce financeiro são os mais almejados, postergando as eventuais incumbências para com o cumprimento da justiça social. Neste viés, participantes de algum esquema de favorecimento (talvez por isso desejem a perpetuação de poder) agem de forma imprecisa ao defender a demagogia advinda de autoritários políticos e seus respectivos grupos. Com isso, este protótipo profanador da lisura do regime democrático representa uma diligente afronta à alternância de poder e consequentemente um grave acinte à democracia. Ora, a nosso ver, a alternância de poder está para a democracia, como o sangue está para as veias, e a defluência de duração no mesmo, desgasta a aptidão de distinguir o que se é conveniente, impede a oxigenação de novas ideias e amordaça a livre proliferação de discussões que fomentam o sentimento de renovação. Ademais, impende ressaltar que a perpetuação alastra a viabilidade de composição de vícios insanáveis e multiplicação de erros justificados na premência da continuidade.

Diante deste desdém deve-se alvejar, de forma inteligível, ocasionais programas públicos disponibilizados por gestões proveitosas, que por ventura constituem verdadeiras armadilhas onde o principal gestor aprisiona seus supostos beneficiados, de forma que se tornem reféns de maliciosas administrações e dos pseudos líderes que obstruem os rumos para a plena consagração do sacrossanto princípio democrático com a prática deletéria de perpetuação no poder. Esse tipo de façanha gera um incidente oculto, haja vista que os pseudos líderes intencionam perpetuar-se no poder através da indigência do povo e ao tomar gosto por tal prática, é que então iniciam uma árdua busca pela propagação de laços inquebrantáveis com a máquina pública, como evasão, por exemplo, aproveitando-se da população necessitada e submissa; e fechando acordos vistosos com políticos de renque corruptível.

Com efeito, é de se notar que o pulso vibrante de renovação política permeia a população pernambucana. Ora, estamos nos referindo a uma dinâmica emergente e hegemônica que predomina, crucialmente, as reivindicações da massa, visto que os estudos específicos baseados na filosofia e história política nos têm auxiliado a perceber que a perpetuação interessa tão-somente os insalubres correligionários e reacionários, indo de encontro ao cerne dos ideais democráticos. Estamos em tempo de abrir a cabeça para magníficas modificações e imperiosa restauração na seara política e social. Devemos dar ensejo a políticos hodiernos (bem) intencionados. Não devemos ser devotos dessa maneira de pensar e agir, como se estivéssemos sentenciados a perdurar nessa situação ao qual estamos submissos. Por isso que reestruturar o âmbito político tem sido propósito da juventude ávida, que, diante de um esforço hercúleo, visa uma oxigenação de pontos de vista e uma formação sólida de novas lideranças.

Ao fim e ao cabo, denota-se a importância que há de ser dada à obstrução dos caminhos a serem utilizados para a consecução das práticas espúrias de perpetuação de poder advindas dos famosos conglomerados políticos existentes no Brasil. Com isso, torna-se necessário, portanto, uma maior atuação e quebra da inércia da sociedade civil, principalmente da juventude do nosso país, pois como bem aduz Helen Keller: ‘’enquanto existir juventude no mundo, é impossível a civilização regredir’’. Sendo assim, que sejamos os verdadeiros ventos que movem os moinhos da renovação e lutemos arduamente para que diante da opressão e do continuísmo, nossa resposta seja a força; a luta e a mudança.

*por Alisson Lucena e Victória Camarotti


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro