27 de fevereiro de 2014 às 08h25min - Por Mário Flávio

Nas condições de educador, eleitor e cidadão me proponho a uma reflexão sobre nosso cotidiano que entrará para os livros de história, e na seara política temos um campo fértil para a socialização dos fatos mais recentes em nossa Caruaru. Esta semana, toda a imprensa do estado divulgou o desfecho das especulações e apostas políticas que fervilhavam no imaginário popular quando o tema era sucessão estadual: o vice-governador caruaruense João Lyra Neto não será candidato a nenhum cargo, tampouco à sucessão do senhor Eduardo Campos.

Caruaru ganhará seu primeiro governador para um mandato de nove meses, mas Pernambuco perderá a oportunidade de ter como candidato um homem que reúne valores imprescindíveis para a condução de um estado em destaque na economia nordestina. Senhor João Lyra nasceu em família político-empresarial, tem como credenciais o pai – por dois mandatos prefeito de Caruaru e empresário de sucesso – teve como irmão o honrado e saudoso
Fernando Lyra, deputado com vários mandatos, eloqüente, articulador ético, ministro da Justiça e ser humano desprovido de quaisquer vaidades.

Como militante do saudoso MDB, espelhado nos valores acima citados, João Lyra governou Caruaru por dois mandatos, tornou-se ainda deputado estadual e destacou suas administrações pelo equilíbrio, somado à capacidade de promover avanços e com significativos acertos na política social, como exemplos da construção do Mutirão, hoje bairro Padre Inácio e o loteamento Fernando Lyra, projetos habitacionais de enormes significados sociais e – infelizmente – não reproduzidos por governos posteriores, além da intervenção na saúde, implantando Policlínicas na cidade.

O sistema de águas do Prata, a criação do pólo cultural na estação ferroviária, concurso para professores, o compromisso salarial com servidores foram marcas de uma administração que nos projetou para o futuro. Como vice-governador, a ética, a
discrição e a capacidade articuladora, somadas as experiências adquiridas em Caruaru o habilitam ao horizonte da política estadual.

As razões que alicerçaram a decisão do governador Eduardo Campos não me proponho a debater, prefiro deixar ao juízo de valor de cada leitor, e posteriormente conheceremos o marketing com as propostas e razões de cada candidato. Para mim, ficou a sensação da interrupção de um processo político natural, bloqueado pelos indecifráveis intentos do cotidiano político-partidário. Não sou partidário do senhor João Lyra, não tenho vínculos com o governo do estado nem sou funcionário das suas empresas, apenas tenho uma visão de quem trabalhou em seus dois governos, e como educador tento estimular a reflexão social.

Usando da imparcialidade a que tenho direito, proponho a construção de pensamentos autônomos em cada cidadão, pois não nos cabe mais o papel de ficarmos “deitados eternamente em berços esplêndidos” como diz o nosso hino nacional de moldes absolutistas. Por fim, construir autonomia de pensamentos e estimular a criticidade humana é um dos mais importantes e nobres sentidos da educação.

A História nos mostrará a importância desse momento quando Caruaru ganhou, mas Pernambuco perdeu essa chance ímpar em sua política.

* José Urbano é professor e historiador


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro