10 de dezembro de 2013 às 07h55min - Por Mário Flávio

Me lembrei nesses últimos dias dessa palavra que se incorporou ao vocabulário de nossa Cidade: CARUARU COSMOPOLITA, ou como queiram os cientistas político-sociais, uma Cidade Universal. Pais de Caruaru. Nossa Cidade é chamada assim e nessa forma vive seus dias em contraditório. Cosmopolita ou tola/Caipira (é o antônimo). Cidade e Zona Rural. Centro e Periferia. Situação e Oposição. Azul, Amarelo, Vermelho ou mais que vermelho.

Nesse enredo complicado, mas real, a sociedade organizada, tradicional, observadora social e freqüente das aparições sociais, cuidando cada um de sua vida, descobre a outra sociedade, essa ultima, vinda dos bairros, periferia, zona rural, sítios e vilas, fora dos controles sociais, eleitorais, estatísticos e até mesmo virtuais. E as duas se descobrem numa mesma leitura. QUEREM SER PARTICIPATIVAS. As duas sociedades tem o mesmo desejo. Participar do processo decisório, entender como funciona, por que também querem fazer funcionar, querem ajudar a funcionar, querem ser parte do funcionamento.

Bater palmas cansa! E elas cansaram disso. Também porque olharam pra cima e viram que o arco-íris tem muitas cores e não somente duas ou três! O que é preciso perceber nesse processo é que a INTELIGÊNCIA COLETIVA já chegou a sociedade de Caruaru como um todo. O mesmo entendimento que já se processa no mundo corporativo e privado das empresas. “As empresas são as pessoas, e já não existem mais funcionários e sim COLABORADORES”.

Querendo ser Participativa, nossa cidade precisa receber os ventos sadios do COLABORATIVISMO. Precisamos nos ajudar! Gosto de citar sempre o que a história nos conta sobre Nero, o louco que ateou o fogo em Roma, cantando “Saque de Ilium” vestido e caracterizado em adereços teatrais enquanto a cidade ardia, e que, após o fogo, abriu as portas dos palácios aos que perderam as suas casas, organizou a distribuição de comida pelos sobreviventes e traçou um novo plano de desenvolvimento urbano.

É preciso iniciar um movimento em nossa sociedade, (mesmo que socialmente e economicamente tenhamos duas atualmente) de colaboração, introduzir o cidadão nesse projeto e trazer a cidade para colaborar, pois que participativa ela já se entende. O contrário, movimento de descaracterizar a Cidade, seus avanços, suas conquistas , não trazem ganho a ninguém, pois que a cidade nos pertence, (a mim e a você que lê este artigo).

Problemas, de toda sorte temos, pequenos, médios e alguns que já não temos nem como medir, isso nós temos de sobra. Mas nós mesmos nos vendemos para o mundo como COSMOPOLITA, lembra? Pagamos o preço do desenvolvimento. Nossa SUSTENTABILIDADE como Cidade, como povo, como cultura, virá do único caminho que nos resta, ou melhor dizendo, do melhor caminho que a história nos reserva: O COLABORATIVISMO, força de um povo que se fez e se refez assim sempre em sua feira.

Colaborar uns com os outros, nos ajudar, não importa a faixa de renda, o nível educacional, a condição empresarial, o status político, não importa nem mesmo a medida da ignorância em entender o que escrevo, mas colaborar todo mundo sabe o que é! E assim sustentável será! CARUARU! Pra mais 200 anos, que seja! Pois que a história nunca perdoou que pensou o contrário! A CIDADE SOMOS NÓS!

* Lino Portela é Diretor do Orçamento Participativo na Cidade de Caruaru e Secretário de Organização do PC do B em Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro