21 de novembro de 2013 às 08h55min - Por Mário Flávio

Desde a semana passada estamos vivenciando um fato inédito no Brasil: a prisão de políticos e de pessoas que contribuíram com o desvio de verba pública no país. Este fato me fez refletir que nem tudo neste país está perdido. Como político, eu vinha me sentindo um pássaro de asas cortadas. Imagine você receber uma ligação de uma cidadã cumpridora dos deveres, precisando de uma exame na rede pública, e não conseguir.

Imagine ser abordado nas ruas por mães cujos filhos estudam em escolas públicas onde falta merenda, faltam professores e estrutura para estudar, imagine ser cobrado pelas pessoas que depositaram aquele voto na esperança de que teriam um político que pudesse brigar por uma vida mais digna e não poder fazer nada. Minha gente, as únicas armas que tenho hoje para lutar por todos estes pedidos têm sido a justiça e a imprensa. Semana passada, sai desta casa inconformado com a não aprovação de um requerimento de minha autoria que pedia o afastamento da diretora da Casa de Saúde Bom Jesus.

Não foi um fato isolado que me fez solicitar a saída da diretora não. Nesta legislatura já presenciei colegas aqui citando dezenas de problemas que ocorreram naquela unidade. A Casa de Saúde passou um bom tempo sem fazer cirurgias eletivas por falta de estrutura, está sendo investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por mortes de bebês e uma mãe no segundo semestre deste ano. Sem falar nas inúmeras reclamações de profissionais daquela unidade que não aguentam mais trabalhar sendo tratados de forma ditatorial imposta por aquela diretora. Será que estes fatos já não são suficientes para entendermos que falta gerenciamento naquele hospital?

Quando citei aqui que minha prima precisou de um exame de ultra-som e não conseguiu na casa de saúde porque no dia não estava sendo realizado aquele tipo de exame e precisamos ir ao hospital regional do agreste, senti na pele o que os milhares de caruaruense passam quando precisam de atendimento naquela unidade.

Meus colegas, não existe problema pessoal, não existe perseguição ao governo municipal, eu só estou comprovando através de fatos aqui o que as pessoas mais carentes estão enfrentando com uma política de administração que não está dando certo. Coincidência ou não, os vereadores que não aprovaram o requerimento defendem a administração municipal e deram o testemunho naquele dia que pouco importa o que está acontecendo com a população, o que vale é defender a gestão municipal. Defender atitudes como estas é defender o indefensável, é ir de encontro ao princípio do cargo ao qual escolheram, que reza estar sempre do lado dos interesses dos mais necessitados.

*Neto é vereador de Caruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro