10 de janeiro de 2012 às 07h30min - Por Mário Flávio

Ouvimos e lemos, com bastante frequência e desde muito tempo, que Caruaru é uma cidade que vivencia grande crescimento em diversos aspectos. É bastante perceptível, por exemplo, há várias décadas, o crescimento demográfico do município, com a maioria da população vivendo no espaço urbano, seguindo a tendência brasileira. Outro detalhe é que o crescimento urbano faz com que regiões outrora consideradas rurais passem a fazer parte do espaço urbano. Podemos incluir a este debate, ainda, o conceito de “rurbanização”: as populações que moram na zona rural passam a ter, cada vez mais, características anteriormente urbanas, dentre elas os costumes, vestuários, consumo de produtos eletroeletrônicos, eletrificação rural, instalação de indústrias no campo, etc.
No que diz respeito à demografia, como subsídio, apresentamos, aos leitores do blog e do Jornal VANGUARDA, alguns dados populacionais adquiridos no escritório do IBGE-Caruaru, em recente pesquisa. Lá, foram coletados dados de censos oficiais e de projeções feitas pelo instituto. Os primeiros dados são de 1920 e os últimos são de 2008 (ano em que realizamos a pesquisa no escritório). Vale lembrar que tem ocorrido no Brasil, aproximadamente a cada 10 anos, um levantamento da sua população, sendo o mais recente o de 2010, no qual Caruaru apresentou uma população de 306.788 habitantes.

Eis, agora, alguns dados populacionais de Caruaru. Em 1920, a população de Caruaru era de 61.636 habitantes. Vinte anos depois, este número subiu para 73.455, representando um aumento de 11.819 habitantes. Já em 1950, a população havia aumentado para 102.877. O ano de 1960 apresentou população de 105.135. No censo do ano de 1970, a população encontrada foi de 142.653, o que representa quase o dobro da população de 1940. Por fim, tivemos 172.532 em 1980, 213.697 em 1991 e 253.634 no ano 2000. Em projeções, 294.558 era a nossa população em 2008. O passar das décadas trouxe o aumento percentual da população urbana e a diminuição da rural.

Agora, vamos a alguns raciocínios: em menos de 100 anos, Caruaru aumentou sua população em cinco vezes (vale lembrar que Riacho das Almas pertencia a Caruaru e ganhou a autonomia em 1953). Devemos refletir, por exemplo, sobre as mudanças que podem ser geradas com o aumento populacional: urbanização de espaços antes desabitados, aumento do número de bairros e ruas, aumento do fluxo do trânsito, necessidade de aumento do serviço público (educação, saúde, segurança etc.). O aumento populacional pode, ainda, mudar as práticas cotidianas, tais como as relações de vizinhança, o aumento do transporte público para locomoção, surgimento e desaparecimento de profissões, aumento da poluição, etc. Há que se pensar, ainda, nas práticas de lazer e suas transformações, tendo como exemplo a diminuição dos campos de futebol de várzea e o aumento do consumo de brinquedos eletrônicos. As questões sociais e políticas também se modificam: nomes tradicionais são esquecidos e novos elementos aparecem com uma constância bastante elevada.

Em síntese: a cidade cresce e muda cada vez mais rapidamente. Isto chega a gerar, em alguns indivíduos, a sensação de que há algo de errado, de que o presente é um “destruidor” do passado. Devemos lembrar, também, que as transformações de Caruaru são frutos das mudanças estadual, nacional e mundial: nossa cidade não se transformou apenas por ela mesma: nossas variações demográficas repetem a tendência nacional de crescimento e de migrações, principalmente entre as décadas de 1940 e 1970. Nossa economia vivenciou as mesmas características que a economia brasileira, tendo, evidentemente, suas particularidades locais. A popularização da mídia falada, escrita e televisada trouxe para a população caruaruense algumas marcas culturais de outras localidades, sejam elas próximas ou distantes.

Quem esteve em Caruaru há muito tempo, com certeza, terá dificuldades em reconhecer os lugares do passado, até porque a experiência de viver a cidade é bastante subjetiva. Porém, isto é mais que normal e é fruto da dinâmica da sociedade contemporânea.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro