22 de fevereiro de 2013 às 10h25min - Por Mário Flávio

Na tentativa de garantir mais comida na mesa dos brasileiros, por um custo menor, o PSDB apresentou, no ano passado, uma emenda que isentava os produtos da cesta básica de todos os impostos federais. A medida ganhou rapidamente o apoio da maioria dos parlamentares na Câmara e no Senado, tendo em vista o impacto que a medida teria no bolso dos brasileiros, reduzindo em até 20% os gastos com a alimentação básica, de acordo com estudo produzido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mesmo não estando mais no comando do país, o PSDB, por meio de uma iniciativa parlamentar, colocou nas mãos da presidente DILMA Rousseff um importante instrumento para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, especialmente os mais pobres. Não se tratou de uma ideia vaga, de uma boa intenção jogada aos ventos.

Mas, em setembro de 2012, a presidente DILMA vetou nossa proposta. Alegou que o assunto precisaria ser “mais estudado”. Ignorou as pesquisas e experiências práticas que reiteravam o sucesso da empreitada, nem levou em conta o impacto que a medida teria sobre o combate à inflação, tema negligenciado pelo PT nos últimos meses e que volta a assustar os brasileiros.

Para nossa surpresa, neste início de 2013, a mesma presidente que vetou a ideia apresentada pelo PSDB agora fala em desonerar a cesta básica. Isso nos faz pensar se o o veto presidencial teve alguma motivação política, ainda mais diante da possibilidade de o governo do PT encampar a ideia, exatamente da mesma maneira que nós havíamos proposto. Será que DILMA vetou a ideia apenas por ser de autoria do PSDB e agora quer retomá-la de forma a parecer que se trata de uma iniciativa petista?

O veto presidencial é um instrumento republicano importante, mas não pode se transformar em um ato a serviço de um partido, como fez a presidente DILMA.

Ao agir assim, a presidente reforça a velha maneira petista de se fazer política. Afinal, o partido de DILMA e de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo que se posicionou contrário à Constituição de 1988 e depois, sob as regras desta, chegou ao poder; que votou contra o Plano Real e, até hoje, colhe os benefícios da estabilidade da economia; que criticou o Proer e, posteriormente, o citou como remédio para a crise nos EUA; que tratou as privatizações como “entrega do Brasil” e atualmente as pratica.

Antecipamos nosso apoio qualquer a tentativa de DILMA Rousseff de fazer com que a comida dos brasileiros seja mais barata. Mas não podemos deixar de lamentar a demora. Perdemos pelo menos seis meses, desde que a medida foi proposta pelo PSDB.

*Bruno Araújo é deputado federal


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro