23 de agosto de 2013 às 08h25min - Por Mário Flávio

“O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima.”

Se existe uma lição que nós podemos tirar das falhas da administração municipal é que elas refletem uma parte do que há de errado em toda a política do país. Tanto os governos locais quanto o governo central estão acometidos das mesmas mazelas: corporativismo exacerbado; ausência de meritocracia; falta de responsabilização jurídica; falta de ética; ausência de transparência; prevalência de nomeações políticas a técnicas; má utilização do dinheiro público; incompetência administrativa; condescendência criminosa, entre muitos outros.

O que mais me inconforma, enquanto cidadão, nos acontecimentos recentes (relatório da CGU) em Caruaru é a resposta dada por nossos administradores no sentido de que “não há erro porque não há punição”. Ora, essa lógica é tão frágil quanto dissimuladora.

Quem tem o mínimo de conhecimento das instituições do país sabe, primeiro, que a CGU NÃO TEM PODER DE PUNICÃO, senão de mera recomendação e denúncia; e, segundo, que acusações de “despesas realizadas em desacordo com a lei”, “direcionamento e simulação de processos licitatórios” e “pagamento de pessoal em desacordo com as ações de educação infantil e fundamental”, merecem uma RESPOSTA SÉRIA DO CHEFE DO GOVERNO, e não “recados evasivos” de seus secretários, considerando que as acusações correspondem a falhas que são estruturais para a administração.

É de se avaliar: se o Prefeito vai para a televisão fazer propaganda institucional de seu governo; se ele diz que a participação é um ponto chave de sua administração; se ele se dispõe a responder perguntas de internautas sobre temas diversos através de um “gabinete digital“; o que falta para que ele se pronuncie publicamente acerca da mais grave acusação de seu governo atual?

No mesmo sentido, enquanto o executivo municipal erra na resposta e na reação às “recomendações“ da CGU, a Câmara de Vereadores da cidade não fica atrás ao deixar de realizar o papel constitucional do qual é imbuída: o de fiscalizar o poder executivo e prestar contas à população. O jogo político mais uma vez se sobrepõe ao interesse público e evidencia o que há de pior em nossa infantil democracia.

Assim, enquanto os erros forem tratados com a condescendência típica de sistemas que colocam o acobertamento corporativista à frente da responsabilidade dos faltosos, o argumento dos críticos continuará válido, afinal, já constatamos à exaustão que, no Brasil, o exemplo não vem nem de cima nem de baixo.

*Diego Cintra é professor universitário


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro