21 de novembro de 2012 às 09h25min - Por Mário Flávio

Com frequência observamos nos bates papos, e até em algumas análises políticas expressões como, “não existe mais ideologia”, “políticos são todos iguais” e “não existe mais esse negócio de esquerda ou direita”. Tal situação é uma consequência do fim do socialismo no final do século XX, quando tínhamos bem demarcado no cenário mundial o que representavam as esquerdas e a direita. Essa situação replicava no cenário nacional e chegava, às vezes, no cenário local.

Com o fim do socialismo ocorreu uma perda de identidade, de rumo, principalmente das esquerdas, que tinham como norte a implantação do socialismo, o regime faliu, as suas mazelas foram expostas como numa autópsia. Ficando praticamente impossível a defesa do modelo de socialismo que existia, um regime autoritário e totalitário, a esquerda perdeu seu rumo, o que propor agora?

Mas se a esquerda entrou em nocaute, a direita sentiu o golpe; pois se o socialismo acabou, os partidos de direita perderam também a razão de existir. Afinal eles faziam a defesa do capitalismo e do modelo de democracia ocidental, e agora que o mundo tornou-se capitalista com eleições periódicas o que eles iriam oferecer. Nesse necessário, em que as velhas ideologias morreram, foi necessário então que tais grupos políticos elaborassem novos discursos que legitimassem suas existências. As esquerdas assumiram o papel de luta pela justiça social, igualdade, regulação do capital e fortalecimento do Estado.

Quero deixar claro aqui que não vou utilizar o maniqueísmo, no qual de um lado representa o bem e o outro o mal. Creio que há bons políticos em ambos os lados, assim como também há corruptos e escroques. Estou analisando o sistema de crenças, os referencias teóricos que nortearão os planos de governo e ações públicas. Já a direita passou a defender a liberdade do capital, a sua desregulamentação e o Estado Mínimo, acreditando que com tais mecanismos aumentaria o volume de riquezas gerado e as oportunidades de emprego e renda também, se atingiria o desenvolvimento sem burocracia.

Nessa queda de braço a esquerda que saiu atrás ganhou uma pequena vantagem, pois com as crises do capitalismo, o discurso da direita perdeu credibilidade, afinal a desregulamentação da economia, praticada pela direita europeia e a americana geraram instabilidade econômica e social e, portanto, a necessidade da intervenção e regulação do Estado para sanar a economia.

Nesse processo, a direita tem que apresentar um novo discurso, só que nessa fase de revisão da direita, a opção que vem despontando, assumindo a liderança, mesmo que temporariamente, é o do conservadorismo moral e religioso, do nacionalismo e da austeridade fiscal. Pauta que vem sendo renegada por membros da direita moderada, inclusive no Brasil, após a derrota de José Serra em São Paulo.

Direita e esquerda voltaram a ter ideologias claras e objetivas, porém infelizmente não no Brasil, pois o que temos aqui é uma salada, para não dizer bagunça. Montam-se partidos agregando palavras para que fiquem sonoros, ou que formem uma sigla “bonitinha”, mas que não representam ideias; e para piorar, muitas vezes temos filiados, e políticos, que não sabem o porquê de seu partido existir, o que eles defendem e representam. Essa falta de conteúdo, de pensar, é útil, pois permite a montagem de coligações que juntam partidos que teoricamente, estão em campos opostos, ou a adesão aos vitoriosos.

É muito útil aos nossos políticos o discurso da morte das ideologias, pois isso justificaria as suas leviandades, incoerências e o fisiologismo. Mas como já se disse, muitas vezes, político tem que ter lado e defender esse lado claramente.

*Mário Benning é professor universitário e analista político


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro