13 de dezembro de 2011 às 07h45min - Por Mário Flávio

Por Bruno Bezerra*  Twitter: @brunobezerra

Carlos Drummond de Andrade, o gênio disfarçado de poeta mineiro, poetizou o momento mágico que é a chegada de um Ano Novo com o belo poema ‘Receita de Ano Novo’. O final do poema diz assim: Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Ano Novo à vista… em cada um de nós (nuns mais, noutros menos) o pensamento positivo aflora, tornando o momento ideal para definir ou… redefinir metas, planos e sonhos, no ambiente profissional e pessoal. Hora perfeita para tentar repensar e, quem sabe, realinhar a vida, sobretudo nas relações: com o trabalho, com o amor, com a família, com as paixões, as escolhas, os amigos, as obrigações, direitos, desejos, medos e, especialmente, com as conquistas.

Contudo, em um momento de reflexão quase que obrigatório pela atmosfera do Ano Novo, uma importante relação passa praticamente desapercebida por quase todos nós. A nossa relação com a cidade onde vivemos. A cidade não é apenas uma estrutura física, é o resultado da relação entre o espaço construído e as diversas práticas sociais. A cidade é a casa da sociedade. Todas as cidades do mundo são diferentes nos seus ritmos, climas, sons, cheiros, cores, movimentos e… pessoas. Todavia, todas as cidades têm a mesma utilidade, concentrar pessoas. A cidade deve ser uma espécie de extensão da nossa casa.

Mas existe um fato preocupante: sabemos como queremos e podemos melhorar a nossa casa, sabemos o que queremos para nossa casa, e o mais importante… pensamos e fazemos (e fazemos bem feito) o que é preciso ser feito para conquistar a casa que tanto desejamos. Já com a cidade onde vivemos… quase nunca pensamos nossa cidade, mas ainda assim, quase sempre sabemos como queremos e podemos melhorar a nossa cidade, e sabemos o que queremos para ela. Mas aí aparecem duas perguntas que precisamos fazer olhando no espelho:

A Feliz Cidade faz parte dos meus sonhos de Ano Novo? Será que eu estou fazendo a minha parte no que realmente precisa ser feito para conquistar a cidade que tanto desejo e sonho? Pode ter certeza, hoje, mais do que nunca, nossa cidade suplica por prosperidade na relação cidadão/cidade, a mesma prosperidade que costumamos desejar para nossos lares. A prosperidade da cidade é a nossa prosperidade. Não existe mistério, quem faz a cidade são as pessoas, a cidade é o que as pessoas fazem dela. A cidade somos todos nós, e como somos a cidade, a cidade tem vida, vida em abundância.

E a cidade sendo aglutinadora de nossas vidas precisa ofertar algo fundamental… Qualidade de vida coletiva, para que nosso desenvolvimento econômico tenha muito, muito mais sentido. E aqui mais uma pergunta: qual o papel de cada um de nós para transformar nossa cidade numa estrutura geradora de qualidade de vida coletiva? Deixo para reflexão de Ano Novo o pensamento de mais um mineiro extraordinário “Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que você nunca fez” Chico Xavier. Desejo saúde, paz de espírito e uma merecida Feliz Cidade para todos nós.

* Bruno Bezerra é sócio da B&F Computadores e diretor de desenvolvimento e empreendedorismo da CDL Santa Cruz do Capibaribe-PE.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro