20 de agosto de 2012 às 14h59min - Por Mário Flávio

Como estamos em época de propaganda subliminares, hesitei em elaborar este texto, não gosto de alimentar gestos democráticos com clara conotação de servilismo partidário, confesso que fui aguçado, haja vista que não tenho o hábito, nem tempo para discursos filosóficos, sou adepto ao pragmatismo.

Ninguém sabe nada da vida até vivenciá-la. Muita gente não sabe o que política pública até contrair uma doença, muitas vezes tão grave quanto o câncer (C.A.) Vamos lá, alguns jovens menos experientes têm líderes como suas referências, eu não.

Max, Che, Lenin, FHC, Lula nunca serão minhas referências, somente colhemos lições positivas de cada um; O velho Cumaru me deixou um legado de muitos aprendizados práticos e os poucos amigos que converso, onde retiro muitos ensinamentos; Crítico, o livre arbítrio divino define e acha o que será melhor para minha formação como ser humano.

Quando jovem, as músicas de Renato Russo motivavam os encontro com os colegas das escolas públicas e privadas onde passei. Um dia vi Renato dizer que não escrevia para as pessoas: “faço para mim, apenas as pessoas se identificam com minhas letras.“

Verdade, nos identificamos com as coisas e pessoas. Não me identifico em nada com a comparação de uma doença grave e degenerativa, como o câncer – que assola a humanidade e faz inúmeras pessoas perderem a vida – com uma sigla partidária. É de uma brutalidade que deveria ser crime, mas será que incitar o ódio não é?

Che pregou a igualdade, a divisão, a doação e como estudante de medicina, suas andanças visavam uma vida melhor para todos, não a morte. A morte, naquele momento histórico, era conseqüência de qualquer revolução, noutros tempos, noutras épocas. Em 2012, Che usaria sua capacidade intelectual, como: “A Primavera Árabe.”

Textos com barbudos e revolucionários como referência às candidaturas democraticamente legítimas, mas a anos-luz da esquerda, beira um monte de saliva vertendo sobre uma causa não muito nobre: A “reeleição”, também tão agredida pelos movimentos de esquerda! Trabalhando em diversos governos, siglas e gestões, entendemos o quanto é importante a transparência e o respeito, sem deixar de ser incisivo com seus ideais e posicionamentos.

E triste como esta geração, anti-socializada pelo mundo autista da internet, não sabe lidar com pessoas e diferenças. A arma de um mau fotógrafo e a edição da imagem, a principal arma de um mau jornalista e o texto fora de contexto, de um mau advogado, são provas falsas em busca da ‘justiça’, a principal arma da mentira é perder a habilidade em vencer sem dizer a verdade.

A filosofia é inócua quando carregada de brutalidade política e atitudes odiosas às diferenças. ‘Diferença’, outra bandeira da esquerda. Seu país não é aqui, és adepto à ditadura, aquela mesma em que Che lutou para retirar Fulgencio Batista do Poder em Cuba depois de mais de 7 anos – como ditador. Imagina a reeleição. Se Che soubesse?!

Enquanto estavam jogando bola de gude, estávamos sugerindo como deveriam ser as convenções dos sindicatos com os empresários. Enquanto estavam na escola, exigíamos melhores políticas públicas, enquanto agrediam, estávamos tentando conseguir que o Poder Público limpasse o Rio Ipojuca para que ninguém perca a vida com doenças básicas e talvez um câncer proveniente do lixo hospitalar ali depositado.

Perdi alguém muito especial por causa de um câncer, a humanidade perde para o câncer, a ciência perde para o câncer, a imaturidade tem horas que deve ser repudiada, em certos momentos algumas pessoas como eu, não poderia nem ouvir este termo, neste momento muitos filhos, pais, irmãos, primos e amigos que estão nos hospitais públicos, alguns MUNICIPAIS, denominam o câncer como “C.A”, um forma de amenizar a audição desta maléfica doença.

Por mais que esteja presente em todas as bandeiras com a imagem de Che, parece que seus pseudo-admiradores não gostam de leem:

“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura.”

Uma pena Che, alguns insistem em não aprender.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro