27 de março de 2012 às 16h56min - Por Mário Flávio

Considerando as recentes declarações acerca do PT de Caruaru por dirigentes, militantes e imprensa, trago algumas reflexões como forma de contribuir ao debate.

A César o que é de César

O PT tem um Diretório Municipal com Presidente, eleitos, ambos, no Processo de Eleições Diretas. Em 2009 o professor Josué venceu as eleições contra o candidato Estanislau, sendo o primeiro apoiado pela chapa da tendência CS, corrente do vereador Rogério Menezes e o segundo pela chapa do MAIS, corrente da então Secretária Especial da Mulher Louise Caroline. A CS recebeu apoio da AE e o MAIS da DS. Em um processo eleitoral, mesmo de composição proporcional, como o nosso, é de quem vence a responsabilidade de conduzir a gestão.

Foi eleito pra isso. A quem perde, cabe colaborar ou não, a depender dos incentivos que tenha para sua postura. Nós, perdedores da eleição, não nos sentimos incentivados a contribuir com essa gestão, apesar de reiteradas tentativas. Os detalhes sobre essa opinião não vêm ao caso em uma nota pública. O fato é que a responsabilidade de dirigir o processo é da maioria, liderada por seu Presidente, que deve ser a voz coletiva de decisões tomadas no Diretório, junto a outros atores sociais (governo, partidos, imprensa, filiados, movimentos). Se não participamos, como minoria, nosso ônus é o prejuízo de não ter opinião considerada na decisão.

Portanto, não aceito que as responsabilidades sobre a atual situação do Diretório Municipal do PT de Caruaru sejam atribuídas ao MAIS ou a mim. O Presidente eleito e sua maioria têm legitimidade e número suficiente para dirigir o órgão para o qual foi empossado.

A construção de alianças requer diálogo, não é obrigação. Nós nos responsabilizamos pela gestão da Secretaria Especial da Mulher e da Juventude do PT, tarefas para as quais fomos escolhidos e de que temos muito orgulho. Até gostaríamos de responder pela gestão do PT e pôr em prática nossas idéias pro partido, mas perdemos duas vezes. Espero que os militantes petistas avaliem sua escolha, mas respeitamos o resultado.

O personalismo

A política latinoamericana é altamente personalista e a questão está bem presente em Caruaru. Superar esse defeito requer que os órgãos colegiados, as instituições e coletivos ocupem o espaço que se costuma dar aos indivíduos. Uma das coisas mais satisfatórias no processo de meu afastamento da Prefeitura de Caruaru para estudar na Espanha foi poder passar o cargo para uma companheira plenamente qualificada e ver o trabalho coletivo dar ainda mais frutos que antes, sem a minha presença.

Mas não é tarefa simples. As eleições nominales e o caciquismo tradicional acabam construindo uma cultura que exige um nome, uma figura específica a quem atribuir os fatos e opiniões. A disputa entre Rogério e Louise nem é tão dura quanto se pinta, nem representa indivíduos. Se morrermos amanhã, as idéias e os grupos que representamos seguirão existindo, porque nunca foi pessoal, sempre uma disputa de estratégia, coisa comum no processo político. Não aceito, portanto, que os problemas do PT de Caruaru sejam personalizados. E, em dois sentidos: ou o PT está ruim porque os dois brigavam; ou o PT está ruim porque os dois saíram de cena. Faz mal minha presença ou minha ausência? Quanto mais o PT for forte como instituição, menos espaço haverá para o personalismo.

A renúncia

Os boatos sobre a saída do Professor Josué da Presidência do PT chegaram até a Espanha. E também que alguns militantes lhe foram prestar solidariedade e dele obtiveram a decisão de que segue no cargo. Segue? Se o professor Josué quer ser Presidente do PT, é justo. Pois então que seja! À parte as qualidades desse grande caruaruense que é o professor, homem sério e íntegro, uma gestão partidária do PT exije outras condições. Sem apoio útil da maioria que lhe elegeu, Josué fica isolado e deixa vazio o espaço de voz pública do Partido. Só que na política não existe espaço vazio. Outros atores – as tendências, acabam agindo isoladamente e/ou em nome do Partido.

Para mim, das duas uma: ou Josué assume de fato, dirigindo o Partido, sua coesão e as articulações, especialmente em um ano eleitoral onde todos os Partidos já executam suas estratégias; ou é preciso um novo Presidente, com legitimidade e atitude para falar por todo o partido e evitar que as relações externas sejam feitas com grupos e indivíduos, enfraquecendo-nos. Precisamos de uma estratégia coletiva, o que exige uma direção atuante e mobilizadora em um momento tão importante pra definição da cidade que queremos pra os/as caruaruenses. O PT tem experiências exitosas de gestão municipal e pode contribuir com um processo eleitoral politizado e um programa de governo ainda mais avançado para a eleição da Prefeitura e da Câmara.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro