31 de janeiro de 2014 às 07h25min - Por Mário Flávio

Alicerçado na experiência de 23 anos em administração pública nos níveis federal e municipal, sendo 18 deles adquiridos na gestão dos últimos 3 prefeitos eleitos em Caruaru, tenho um misto de indignação, revolta e choque de moralidade quando leio ou escuto sobre o atual circo de horrores éticos e morais que alguns vereadores da nossa cidade tem promovido e que hoje somos conhecedores. Valiosos formadores de opiniões já depositaram seus vários artigos nos diversos blogs e colunas jornalísticas da nossa cidade, e na condição de aluno social, gostaria de deixar minha singela colaboração também.

Para mim não é surpresa tudo o que estamos assistindo, pois já vi repetidas vezes posturas de pessoas que exerceram cargos em Caruaru e que não estavam nem de longe a altura do que essas funções merecem. Talvez a maior diferença histórica esteja na ampla e fortalecida imprensa que temos em Caruaru, seus jovens e ousados profissionais, em parceria com novos membros do poder Judiciário e policiais, dispostos a serem os guardiões da sociedade e nossos interesses coletivos.

Toda essa lama produzida por alguns vereadores e jogadas na cara da população e na história de Caruaru vem na esteira da imoralidade pré eleitoral praticada dentro dos partidos que se tornaram antros de condutas nefastas de “prostituição ideológica” onde prevalece a cultura do “se dar bem a todo custo, às custas do dinheiro do povo”, acolhendo semi-analfabetos morais e culturais, populistas, hipócritas, assistencialistas baratos que se travestem de bajuladores de plantão, e pela ilegais vias da compra de votos, os mesmos chegam a ocupar os espaços do Legislativo municipal para legislar em causa própria, optando pelo roubo às claras do tesouro municipal.

Recentemente a imprensa nos mostrou o patético, ridículo e teatral comportamento de um vereador no plenário da Câmara esbravejando, esmurrando cadeiras e com dedo em riste na cara de outro parlamentar, se passando por impositor da moralidade, sendo ele mesmo um dos líderes da corrupção, conforme divulgado pela imprensa nas apurações policiais. Anteriormente, um outro membro dedilhava violão na tribuna, enquanto o seu colega ensaiava passos as vistas do presidente – completamente omisso a essa falta de decoro – daquele órgão.

O que essas pessoas entendem sobre ética, moralidade, missão da representação pública, marketing pessoal, ou o tão falado e desgastado termo decoro parlamentar?
São esses mesmos – descobertos pelas investigações e retiradas as máscaras -que agora mostram as práticas corruptas do que ocorreu nos corredores e no refúgio dos gabinetes. Também eles estampam as manchetes das páginas policiais de Pernambuco e do Brasil. A meu ver, diariamente aumenta o anseio popular para a imediata aplicação da Lei e seus efeitos práticos a partir das provas, o que conduzirá invariavelmente a expulsão desses elementos da vida pública.

Não se trata de pré julgamento, mas sim da necessidade de uma faxina ética e moral na política de Caruaru. Os membros da quadrilha não tem a moral como suporte ético indispensável para a administração pública. Os ratos antigos que contaminaram alguns novatos nos levantam outra dúvida: serão novas essas práticas ou já era um modelo por eles criado? Que pese a mão da Justiça sobre os mesmos delinquentes políticos, que os esforços dos membros do Judiciário, Polícia e Imprensa sejam somados e resultem na limpeza moral que nossa política precisa, e o nosso povo deseja, gosta e exige de fato e de direito.

Avante Caruaru, sua gente e sua força estão acima desse desmerecido momento, porém oportuno para uma faxina ampla, geral e irrestrita. O silêncio do bem favorece a propagação do mal, por isso não iremos – nem podemos – calar.

*Prof. José Urbano


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro