8 de março de 2013 às 14h55min - Por Mário Flávio

Nesta data especial, me volto para as milhões de mulheres desse país que lutam diariamente para ter sua dignidade reconhecida. O conceito de diversidade é polissêmico e pode expressar muitos significados. Desejo nesse texto retirar da invisibilidade a diversidade de dentro da população de mulheres, especificamente as mulheres lésbicas, bissexuais e transgênero (travestis e transexuais).

Cada mulher, dependendo de suas especificidades identitárias (raça, etnia, geração, classe social, orientação sexual, etc.), carrega fardos sociais diferenciados. Enquanto a mulher heterossexual sofre com o machismo cotidiano através da subestimação constante de sua capacidade (dirigir carro), desigualdade nas relações de trabalho (salário e postos diferenciados) e imposição de papéis e lugares sociais pré-determinados (delicadeza, cuidado do lar, não-participação na política), as mulheres lésbicas e bissexuais padecem da lesbofobia e as trans da transfobia, para além do machismo.

Vivemos em uma cultura fortemente lesbofóbica, que questiona a autonomia da lésbica, sua sexualidade e suas identidades quando afirmam que ela é “sapatão”, “agressiva”, “não encontrou o homem certo”, “é frustrada”. Esses e outros tipos de pensamento culminam, inclusive, em estupros corretivos, uma modalidade de violência que visa “corrigir” o erro da mulher lésbica e torná-la “normal”. Também é desnecessário discorrer sobre o fato de que há uma cobrança social e familiar enorme sobre suas vidas, de modo que desejam que as mesmas se casem com homens, gerem filhos, constituam famílias heteroafetivas ou, caso superado essa fase, não assumam suas identidades publicamente, o que gera impactos na autoestima e na liberdade cidadã das mesmas. Para as lésbicas casadas, o reconhecimento civil de suas uniões ainda não é pleno e igual ao de mulheres heterossexuais, bem como os demais direitos advindos do casamento (adoção, herança, etc.). Quem não lembra que a orientação sexual da Presidenta Dilma Rousseff foi colocada em questão no momento da corrida presidencial como forma de descredibilizá-la no processo eleitoral?

No caso da população trans, o nível de exclusão e estigmatização aumenta. Sem acesso à direitos sociais básicos (educação, saúde, alimentação, etc.) e com uma rejeição familiar desde a mais tenra idade em função de suas identidades de gênero subverterem normas silenciosas, porém rígidas, restam-lhes o espaço social da prostituição e da marginalidade, próximo às drogas e à violência, uma invisibilidade ativamente produzida, como reflete o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Muitas delas traficadas, sem serem retratadas em novelas. Àquelas que não suportam a prostituição a dificuldade de serem inseridas no mercado de trabalho formal, marcadas pela baixa escolaridade e pelo preconceito social dos empregadores que não concebem a ideia de incluí-las e aceitá-las em suas empresas.

Que nesse e nos outros 8 de Março, além dos outros 364 dias, reflitamos sobre como nossa sociedade está estruturada e tem retirado de muitas vidas a humanidade e a dignidade, direitos fundamentais de cada um/a. Direitos humanos para todos/as. Àquelas que militam por transformação social em Movimentos Sociais, organizações da sociedade civil, partidos e governos, todo o nosso reconhecimento.

*Cleyton Feitosa é graduando em Pedagogia pela UFPE/CAA e representante do Movimento LGBT no Parlamento Jovem de Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro