23 de agosto de 2013 às 10h25min - Por Mário Flávio

Ocorre que, ao falarmos de planejamento, necessariamente, estamos falando de sua implementação. Não há bom planejamento que, sendo devidamente implementado, deixe de gerar resultados. Trata-se de um argumento lógico. Mas, na prática, é um grande desafio gerencial.

O desencontro entre o planejamento formulado e a sua execução, pode ser extremamente nocivo aos trabalhos de uma organização empresarial, de uma instituição pública, de um pequeno grupo, por mais simples que sejam os objetivos. O grande risco dessa desconexão é atribuir o fracasso das ações ao planejamento, e perder seu verdadeiro valor como ferramenta de condução, de orientação de destinos, sejam particulares, sejam coletivos.

A função do planejamento é criar um mapa, um guia de escolhas (e, por consequência, de renúncias) que orientam para a melhor forma de fazer uso dos meios disponíveis e/ou dos caminhos escolhidos para se alcançar um determinado conjunto de resultados. Aqui, uma vez mais, entra a figura-chave da necessidade de se identificar resultados que sejam passíveis de monitoramento. Nisto reside a importância do termo “gestão por resultados”, diferencial de que tem coroado de êxito os esforços de administradores públicos modernos. Destaque para Pernambuco e minas gerais, que se posicionaram na vanguarda com seus respectivos modelos de gestão.

Podemos identificar aqui um ponto de atenção. Ao vermos planejamentos (ou programas de governo) que não tenham uma identificação clara de ações tangíveis, obras entregáveis ou serviços que possam ser prestados com eficiência e eficácia (indicadores de resultados e/ou projetos a serem executados, com marcos e metas), nos resta um só caminho: devemos fazer bom uso do nosso poder como cidadão, manifestar-se (marchas, levantando cartazes nas ruas)… E, inclusive, fazer mais que ir às urnas de dois e dois anos, esquecendo, dias depois, que nossas digitais já nos comprometeram com o resultado.

Espera-se que a prefeitura faça o bom uso dos recursos de nossos impostos e dos repasses de verbas estaduais e federais para construção de escolas, de praças e parques, como equipamentos públicos acessíveis, para a promoção de esportes e da cultura, geração de emprego e renda… Enfim, para o desenvolvimento do município como um todo.

Há leis (nos níveis federal, estadual e municipal) que, como garantia constitucional, determinam o acesso às informações sobre atos da administração pública. Entre estes atos, constam os registros de arrecadação de tributos (impostos, taxas, tarifas, etc.) Que compõem parte da receita do município, bem como de despesas com a execução orçamentária do município. Consultar a página de transparência na rede mundial de computadores é uma forma de exercer a cidadania. Um hábito simples com o potencial de realizar grandes transformações.

Não há vento favorável para quem não sabe a que porto se dirige, como nos ensinou Sêneca. Se não fizermos nada agora, depois não adiantará reclamar. Ou se participa, ou não se faz ouvir pelos governantes. Ao tomar as ruas, o povo brasileiro experimentou isso este ano. Precisamos resignificar o conceito fundamental pelo qual se sustenta a sociedade: poder do povo, para o povo e pelo povo. Não tenha receio, o poder está nas suas mãos!

* Sandro Vila Nova é servidor público do Poder Judiciário de Pernambuco. Foi eleito como delegado pela RPA-2/Zona Urbana, na plenária do dia 14 de setembro de 2012, e como conselheiro do COP na plenária do dia 25 de setembro de 2012, todas organizada pela “Comissão de Operacionalização” do OP Caruaru.


Comentários


...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro