2 de maio de 2012 às 14h07min - Por Mário Flávio

1° de Maio – Dia dos Trabalhadores (e Trabalhadoras)

Revendo o texto que descrevo a seguir, da inesquecível Rosa Luxemburgo, resolvi, fazer minha homenagem a cada trabalhadora e trabalhador brasileiro com essa reflexão. Apesar de ter sido escrito há exatos 118 anos, o texto continua atual e nos trás uma visão bastante clara do que foi, é e será ainda por muito tempo a luta dos trabalhadores e trabalhadoras pela sua completa emancipação, pela sua liberdade. Afinal, como bem cantam os poetas: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” (Titãs). É isso. E tenho dito.

Eis o texto.

QUAIS SÃO AS ORIGENS DO DIA DOS TRABALHADORES?
(Rosa Luxemburgo – fevereiro de 1894)
“A feliz ideia de usar a celebração de um feriado proletário como um meio para alcançar a jornada de trabalho de oito horas diárias nasceu na Austrália. Os trabalhadores decidiram, em 1856, organizar um dia de completa paralisação juntamente com assembleias e entretenimento como uma manifestação a favor da jornada de oito horas diárias.

O dia desta celebração era para ser 21 de abril. Inicialmente, os trabalhadores australianos pretendiam que isto só acontecesse em 1856, mas esta primeira celebração teve um efeito tão forte nas massas proletárias da Austrália, avivando-os e levando a uma nova agitação, que foi decidido repetir a celebração todo ano.

Na verdade, o que poderia dar aos trabalhadores mais coragem e fé em sua própria força que uma paralisação do trabalho em massa, a qual eles mesmos decidiram? O que poderia dar mais coragem para os eternos escravos das fábricas e oficinas do que a reunião de suas próprias tropas? Assim, a ideia de uma celebração proletária foi rapidamente aceita e, da Austrália, começou a se espalhar para outros países até finalmente conquistar todo o mundo proletário.

Os primeiros a seguirem o exemplo dos trabalhadores australianos foram os americanos. Em 1886 eles decidiram que o dia 1° de maio deveria ser o dia universal da paralisação do trabalho. Neste dia, 200.000 deles deixaram seus trabalhos e exigiram a jornada de oito horas diárias. Tempos depois, a polícia e o assédio legal impediram os trabalhadores por muitos anos de repetir esta manifestação [em tal magnitude]. Entretanto, em 1888 eles renovaram sua decisão e decidiram que a próxima celebração seria no dia 1° de maio de 1890.

Enquanto isso, o movimento dos trabalhadores na Europa tinha se fortalecido e se animado. A expressão mais poderosa deste movimento ocorreu no Congresso Internacional dos Trabalhadores em 1889. Neste Congresso, que contou com a presença de quatrocentos representantes, foi decidido que a jornada de oito horas deveria ser a primeira exigência. Foi então que o representante dos sindicatos franceses, o trabalhador Lavigne de Bordô, propôs que esta exigência fosse expressa em todos os países através de uma paralisação universal do trabalho.

O representante dos trabalhadores americanos chamou a atenção para a decisão de seus camaradas de entrar em greve no dia 1° de maio de 1890 e o Congresso decidiu que esta data seria a da celebração universal dos proletários.

Neste caso, como há trinta anos atrás na Austrália, os trabalhadores realmente pensaram em uma manifestação que ocorresse uma só vez. O Congresso decidiu que os trabalhadores de todas as terras manifestar-se-iam juntos pela jornada de oito horas no dia 1° de maio de 1890. Ninguém falou de uma repetição do feriado para os próximos anos. Naturalmente, ninguém poderia prever a enorme rapidez com a qual esta ideia iria triunfar e como iria ser adotada pelas classes trabalhadoras tão rapidamente.

No entanto, foi suficiente celebrar o Dia dos Trabalhadores apenas uma vez para todos entenderem e sentirem que o Dia dos Trabalhadores deveria ser uma tradição contínua e anual. O primeiro de maio exige a introdução da jornada de oito horas. Mas mesmo depois desse objetivo ter sido alcançado, o Dia dos Trabalhadores não foi deixado para trás. Enquanto a luta dos trabalhadores contra a burguesia e a dominação de classe continuar, enquanto todas as exigências não forem conseguidas, o Dia dos Trabalhadores será a expressão anual destas exigências.

E quando melhores dias raiarem, quando a classe trabalhadora do mundo tiver ganhado sua liberdade, então a humanidade provavelmente irá celebrar o Dia dos Trabalhadores em honra às mais amargas lutas e aos muitos sofrimentos do passado.” (Rosa Luxemburgo).

Encerro dizendo que, diferentemente de muitos e muitas que não enxergam motivos para comemorar o Dia 1° de Maio (Dia dos Trabalhadores), acredito sim que esse é um dia a ser comemorado. Esse é um dia cada trabalhadora e trabalhador brasileiro refletir e comemorar, afinal, todas as lutas e vitórias no passado, trouxeram aos nossos dias a certeza de que, mesmo que uns não queiram, aproxima-se a aurora.

Aproxima-se a redenção. Aproxima-se o momento em que todas e todos seremos verdadeiramente livres. Como disse certa vez Vladimir Ilitch Lenin, ou simplesmente, Lenin: “É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles.”

Feliz 1° de Maio para todas e todos. Caruaru-PE, terça-feira, 1° de maio de 2012.

Adilson Lira – Secretário de Formação Política do PT/Caruaru
Coordenação Estadual da DS- Democracia Socialista (tendência interna do PT).


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro