11 de julho de 2017 às 18h29min - Por Mário Flávio


As chuvas intensas em Belém de Maria causaram grandes prejuízos à população. Não foi diferente com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), cuja sala, no Fórum da cidade foi invadida pela água. Com o objetivo de evitar a perda de documentos importantes, a Instituição está efetuando um trabalho de higienização e salvamento de parte do acervo em papel que foi danificado.

O material foi trazido à Divisão Ministerial de Arquivo Histórico (Dimah) no dia 1º de junho. Boa parte dos documentos estava molhada e suja de lama, em processo de decomposição, rasgada ou esfarelada. De início, a Divisão realizou uma triagem dos documentos a fim de identificar quais poderiam ser descartados, conforme estabelece a Política de Gestão de Documentos do MPPE, que define durante quanto tempo cada tipo de documento deve ser arquivado. 

Os técnicos também identificaram todos os documentos que possuíam registro no sistema Arquimedes, ou seja, que poderiam ser restaurados a partir de computadores. Por fim, foram priorizados os documentos que devem ser mantidos em arquivo e que não continham cópias digitais, a exemplo de procedimentos administrativos, recomendações, pareceres cíveis e criminais, dentre outros.

A Dimah conseguiu, com essa priorização, reduzir o volume de documentos a serem salvos, de um total de cerca de 40 caixas para apenas três. Essa é a quantidade de documentos que efetivamente estão passando pelo processo de recuperação.

Segundo explicou a gerente da Divisão Ministerial de Arquivo, Carolina Mendes Cahu, o MPPE contou com o apoio de um técnico em conservação e restauro do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano.

“Já temos essa parceria com o Arquivo Público desde a enchente de 2010, que também atingiu as cidades da Mata Sul. No caso dos documentos de Belém de Maria, decidimos por preservar os documentos mais importantes do ponto de vista histórico, que documentam a atuação da Promotoria de Justiça local. É um trabalho importante para manter a memória do MPPE”, detalhou Carolina Cahu.

Procedimentos – a higienização e conservação dos documentos segue uma rotina de procedimentos a fim de garantir o melhor resultado. Primeiro, o que é recebido é acondicionado em uma geladeira, a fim de retardar o processo de decomposição do papel e impedir o surgimento dos fungos. Em seguida, os documentos são lavados em água com hidróxido de cálcio e separados, ainda imersos, folha a folha. Todas as folhas são separadas com um tecido, para evitar que grudem umas nas outras, e prensadas durante dois dias.

O próximo passo é a secagem da documentação em um varal, abrigado do sol e do vento. Depois de seco, o papel é planificado com água e uma cola especial, que auxilia na refibragem dos documentos. A penúltima etapa é a limpeza e reparo do papel e, por fim, o acondicionamento dos documentos em caixas-arquivo.

Divisão Ministerial de Arquivo Histórico – o setor conta com cinco servidores e dois estagiários e cuida da classificação e armazenamento dos documentos do MPPE, seguindo a Resolução nº002/2015, que estabeleceu a Política de Gestão de Documentos. Segundo a gerente, hoje a Dimah possui em seu arquivo 9.702 caixas de documentos, muitos deles com valor histórico.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro