17 de setembro de 2017 às 13h43min - Por Mário Flávio


Estou em João Pessoa, Paraíba, desde sexta-feira. Aqui pude ler alguns sites de notícias regionais, acompanhei alguns telejornais locais, ouvi emissoras de rádio e, claro, nesse Estado a violência também é notícia.
Contudo, preciso lhes dizer que enxergo um lado muito obscuro sempre que penso nesse cenário profundo de banalização da violência que se estabeleceu em Caruaru. E sabe por qual razão penso dessa forma, repito, tão obscura? Porque essa é a cidade em que nasci. É nela que eu também vivo e circulo pelas ruas, dia após dia. É essa a cidade onde também vivem mais de trezentas mil pessoas. Mais de trezentos mil destinos. Mais de trezentos mil sonhos.

Essa mesma cidade abriga milhares de pessoas que não nasceram nela, mas sobrevivem do emprego que nela conseguiram. Milhares destes sobreviventes dormem tarde e acordam muito cedo para não perderem a oportunidade que conseguiram de um “trabalho digno”, de um “subemprego”, de um “extra”, ou de um mísero “bico”. Pois o que importa mesmo pra toda essa gente honesta e ávida de condições mínimas de direito a um pouco de alegria, é encontrar algum sentido nesse fenômeno tão frágil que chamamos “vida”.

Mas na direção contrária dessas mais de trezentas mil almas que buscam alguma razão para seguir em frente, há esse tufão silencioso e invisível chamado violência. Um tufão que de um segundo para o outro pode destruir um ser humano e tudo que ele conseguiu construir com cada gota do seu suor, assim como eu, assim como você.

Como todos sabem, no momento em que escrevo essas palavras amargas, um querido e bondoso companheiro de profissão que estava voltando pra casa, está agora lutando pelo direito de respirar, pelo direito de existir. Junto com ele também há outros dois trabalhadores, servidores do Samu, que também estão feridos, quando prestavam socorro, quando curiosamente salvavam uma outra vida.

Então, observem: Alexandre Farias e essas outras duas vítimas estão com os corpos feridos, e nós que assistimos a tudo abismados também estamos feridos, feridos na alma. A única coisa que aparentemente não está ferida é a consciência do conjunto de forças que teriam a obrigação de impedir que essa criminalidade fosse a nova proprietária do seu e do meu destino.

Então, o que mais precisa acontecer?

#ForçaAlexandre


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro