21 de dezembro de 2012 às 09h00min - Por Mário Flávio

Mais uma vez manifestantes se mobilizaram em frente à sede provisória da Câmara Municipal de Caruaru, na ACACCIL, para protestar contra os aumentos dos subsídios para os cargos do Executivo e Legislativo. Desta vez, não houve confusão, bate-boca, nem agressões envolvendo vereadores e quem protestava, mas pouco mais de 20 pessoas levaram cartazes com frases contra os reajustes, mantiveram-se firmes e continuaram com o grito de guerra “Não nos representam”, referindo-se aos vereadores da Capital do Agreste. No final das contas, os vereadores vetaram os reajustes para o prefeito, vice e secretários e aprovaram os próprios salários, mas segundo os manifestantes, isso representou uma vitória parcial.

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Para um dos manifestantes, Fred Santiago, representante da Associação dos Trabalhadores em Educação de Caruaru, os vereadores seguem sem conseguir representar a opinião da população. “Na verdade ocorreu o que nós já esperávamos. Uma Câmara que não representa os direitos do povo dificilmente iria contra o veto do prefeito que atendeu o clamor popular. A gente fica triste em saber que vivemos em uma cidade tão mal representada,  por outro lado, há um ponto muito positivo, que foi a reorganização da sociedade politicamente. Sai um grupo muito forte, composto por diferentes entidades e houve sim um ganho político. Outras lutas virão e nós tiramos lições dessa causa para o futuro”, observou.

Já a cientista política Ana Maria Barros, uma das primeiras a levantar a bandeira contra os reajustes, a mobilização foi parcialmente vitoriosa e mostrou a capacidade de organizar a população caruaruense na defesa de uma causa política. “A manutenção do veto é o retrato de que a Câmara reconhece o movimento nas ruas, nas redes sociais e das instituições organizadas. Mas, é preciso entender que essa decisão é contraditória, porque ao mesmo tempo em que os vereadores concordam com o veto ao salário do prefeito, vice e secretários, são contra quando isso lhes diz respeito. Então, na verdade, a posição da Câmara é parcialmente respeitosa à população. O que fica mais importante dessa votação é que as pessoas acreditam que é possível estabelecer relação entre ética e política. Nós estivemos aqui, respeitamos a decisão dos vereadores, mas mostramos que não somos cidadãos apenas na hora de ir à urna votar. Demonstramos um exemplo de cidadania e os vereadores demonstraram que, em parte, reconheceram que estávamos certos”, defendeu a cientista.

Além de professores e analistas políticos, o protesto também contou mais uma vez com estudantes, principalmente universitários. Ao final da votação dos vetos na plenária, os manifestantes saíram da sessão com seus cartazes levantados, com seus gritos de guerra e comemorando uma singela vitória, que talvez nem se refira tanto à decisão do veto, mas porque um grupo de pessoas, em boa parte apartidárias, conseguiu dar voz a um movimento considerado pouco expressivo pelos legisladores da Casa do Povo.

Abaixo, o momento de votação dos vetos e a reação dos manifestantes

 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro