12 de maio de 2012 às 16h50min - Por Mário Flávio

Crédito: Paulo Roberto Filho/ BMF

A petista Louise Caroline faz uma análise da mudança na direção do PT de Caruaru, já que o novo presidente do partido, Vanúcio Pimentel, tem forte ligação com a ex-secretária da Mulher. Ela defende a unidade e diz que o partido ainda não decidiu o rumo dessa eleição, mesmo defendo abertamente o nome do prefeito Zé Queiroz para a reeleição.

Como vc recebe essa notícia de Vanúcio na presidência?

Primeiro, com felicidade. Por ser um importante reconhecimento do trabalho que nosso grupo tem feito em defesa do PT e de uma nova política em Caruaru, bem como pela demonstração de maturidade do conjunto do Diretório e das outras forças políticas em tomar uma decisão dessas por consenso. Por isso também, recebo a notícia como um desafio. Agora temos a oportunidade de mostrar uma condução política coerente com o que defendemos nas duas últimas eleições internas. Um desafio de construir unidade e pautar as ações a partir do debate da grande política e não das coisas miúdas. E o fato de ser Vanuccio a figura que vai dirigir esse processo me dá um sentimento de tranquilidade, porque é um companheiro sério, capacitado para a tarefa, aglutinador e comprometido com o partido.

Vanúcio assume e o discurso é de mudança na gestão. A partir de agora o PT de Caruaru vai passar por uma oxigenação?

A tarefa inicial é de construção da unidade interna. As divergências são a essência do PT, mas quando elas se dão no diálogo, dentro das instâncias e com fraternidade. Toda mudança exige uma busca inicial de legitimidade. Mas como isso se deu a partir de uma manifestação pessoal do professor Josué e consensual na executiva do partido, acredito que rapidamente a nova gestão vai imprimir sua cara, seu ritmo e um jeito próprio. Penso que a aposta na comunicação com os/as militantes, movimentos sociais, outros partidos, universidades, governo e sociedade em geral farão parte de uma mudança liderada por Vanuccio mas com fundamental participação do conjunto do Diretório.

O PT local segue divido. Parte quer apoiar o nome do prefeito Zé Queiroz e a outra metade torce pela candidatura alternativa de Lícius Cavalcanti. Qual a sua opinião sobre a postura da legenda na eleição desse ano?

Acredito que as divergências táticas eleitorais são salutares, mas devem se dar dentro do debate interno. A expressão de posições individuais ou de grupos para fora enfraquece o PT na discussão. Por isso nós, do MAIS, não nos pronunciamos externamente, embora tenhamos a opinião de que o natural para o PT é seguir na coalizão do Prefeito Zé Queiroz, de que somos parte desde o primeiro dia. A batalha contra as forças conservadoras no município exigem o reconhecimento das virtudes dessa gestão no cenário político. Mas acredito que seja qual for a movimentação ela se deve dar em base a acordos programáticos. Sou a favor de que sigamos com Queiroz, mas acredito que hoje temos mais condições de fazer isso de forma dialogada, a partir de um pacto de ações e políticas públicas que para nós, do PT, são fundamentais no próximo governo.

Você acredita na manutenção da candidatura de Lícius? Ontem, durante o lançamento da pré-candidatura, ele resgou elogios ao PT e Rogério Meneses disse que o partido ainda não está fechado com Zé Queiroz. Como resolver esse impasse?

Não posso fazer premonições sobre a manutenção de nenhuma candidatura. Creio que todos os postulantes merecem respeito e sempre tive uma boa relação com Lícius, que já foi do PT. De fato, o PT não está fechado com ninguém, porque essa decisão ainda não foi tomada. O importante, e creio que aí está o papel de Vanuccio, é que o debate se dê internamente, em cima de questões programáticas e pensando no melhor pra cidade e pra política que queremos erguer aqui. Precisamos responder a algumas perguntas: Qual candidatura mais ajuda a manter o campo de esquerda no governo e impedir a volta do DEM? Qual candidatura tem mais possibilidades de representar um conteúdo inovador pra política da cidade? Qual aliança favorece a nossos candidatos/as a vereador? Em qual chapa o PT pode participar com mais representatividade? Onde poderemos fazer crescer nossa política e nossa estratégia para uma Caruaru mais igualitária e uma gestão mais participativa? Em cima desse tipo de pergunta – que o Diretório e as forças devem pactuar entre si – poderemos resolver o impasse.

Você retorna em junho para Caruaru e mesmo com a sua afirmação de não sair candidata a vereadora, muita gente ainda especula o seu nome. A sua intenção de não ser candidata está mantida?

Me parece incrível – e até engraçado – que ainda especulem meu nome, porque se fosse candidata já estaria articulando apoios e não negando isso. Não disputarei a Câmara por uma série de avaliações sobre o tipo de campanha eleitoral que temos hoje, que me desestimula. Prefiro não ter esse cargo mas ter a tranquilidade de debater idéias fora da necessidade de conquistar votos muitas vezes marcado por trocas e favores pessoais. O processo eleitoral e a responsabilidade de estarmos agora na presidência do PT já são tarefas grandes e empolgantes para que me ocupe quando voltar.


Louise Caroline
Twitter: @LouCarolinePE

“Amar e mudar as coisas me interessa mais”


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro