14 de abril de 2012 às 12h09min - Por Mário Flávio

Lyra voltou a criticar Queiroz e disse que o prefeito não repetiu as boas gestões passadas. Foto: Hélio Júnior

A Rádio Jornal de Caruaru realizou hoje pela manhã um debate com a presença do vice-governador, João Lyra (PDT). Durante uma hora ele fez uma análise da situação política de Caruaru e como a Frente Popular deve se posicionar nos próximos dias. A entrevista de Lyra mais uma vez mostrou que a Frente em Caruaru é cheia de divergências, principalmente entre o vice e o prefeito Zé Queiroz (PDT), que seguem com relação estremecida. Ele mais uma vez tocou no assunto de não ter assumido o governo de Pernambuco e explicou que não assumiu o governo pelo fato da recuperação, uma vez que ainda convalesce de uma recente cirurgia no coração. “Conversei com Eduardo e depois com os médicos, que me aconselharam a não assumir, segui a orientação, já que tinha um exame marcado e poderíamos ter choque de agenda. Também poderíamos ter uma situação de estresse e não posso correr o risco, não tem nada a ver com a minha candidatura e nem com a de Raquel”, disse.

O analista de política, Arnaldo Dantas, também participou da entrevista e questionou a fala do prefeito Zé Queiroz, que usa o termo rolo compressor em algumas entrevistas. Ele indagou como é que o Chefe do Executivo tem os apoios de Eduardo Campos, Dilma, uma ampla frente de deputados e vereadores e não consegue uma dianteira confortável frente a Miriam Lacerda (DEM). Lyra usou o exemplo de um livro para responder e mais uma vez falou da baixa avaliação do prefeito de Caruaru. “Na reeleição é uma premissa, o gestor deve está aprovado e propor a continuação da gestão. Esse termo rolo compressor é agressivo e chega a ser arrogante. Nunca ganhamos nada com rolo compressor, vejam o exemplo de Eduardo Campos, fez um bom governo, tinha apoio e aproveitou a fragilidade da oposição, por isso que teve a votação enorme”, disse.

O vice disse ainda que Queiroz não consegue repetir o êxito de outras gestões. “Zé Queiroz foi um bom prefeito nas duas gestões anteriores, o que acontece nesse governo agora? Ele não conseguiu repetir o êxito das outras gestões. A falta de diálogo com os partidos e fundamentalmente um programa de governo. Tentei por várias vezes o diálogo com o prefeito, de diversas formas e pedi até o apoio do líder do governo Adolfo José, não consegui. Antes da posse chegamos a conclusão que Caruaru precisava de um choque de gestão e não houve”, pontuou.

Lyra disse ainda que deve fazer o papel de mediador para que a Frente Popular esteja unida e que está conversando com os partidos da base e com o PSDB. O vice ainda criticou o Projeto Caruaru 2030. “Ontem me reuni com o pessoal do PT, fizemos uma reflexão sobre a sucessão municipal e o PT ainda não decidiu se vai apoiar o prefeito Zé Queiroz. O grupo vai analisar e fazer um balanço da gestão para saber se apoia ou não o nome de Queiroz. Também tive uma longa conversa com o presidente da Câmara e Lícius Cavalcanti não garante o PCdoB na base de apoio a Zé Queiroz. Ainda conversei com Diogo Cantarelli e quem sabe não poderemos estar todos juntos? Eu acho 2030 muito longe, em minha opinião teríamos que debater 2013 a 2016, não tenho nada contra planejar, mas desde que tenha uma metodologia, como acontece com o governo de Pernambuco”, alfinetou.

Lyra ainda usou o exemplo da gestão dele para fazer comparação da caótica saúde e disse que não tinha tantos problemas quando ele era prefeito. Para ele, o que existe hoje é falta de salários adequados, já que quando faltam médicos, o problema é de gestão e quando o mercado é escasso, o diferencial é o salário. A feira da sulanca foi mais uma vez abordada pelo pedetista, que voltou a criticar o governo e fazer comparações com a gestão dele. “Estou muito preocupado com a feira. Já disse a Queiroz e aos vereadores, com essa duplicação pronta, iremos perder clientes para Santa Cruz, mas não houve definição. Quando decidi mudar a feira, teve muita polêmica, me procuraram e disseram que a população era contra, mas decidi e depois foi uma festa. Falta decisão do prefeito Queiroz, estamos muito atrasados com relação a feira e na campanha, como iremos dizer qual o compromisso do candidato da Frente Popular com a Feira da Sulanca? Sou favorável a mudança”.

Ao fim da entrevista o vice-governador voltou a criticar a falta de diálogo do prefeito Zé Queiroz e disse que houve um erro na obra de duplicação da BR 104 no trecho urbano. “Temos que partir para um diálogo forçado, já que antes não houve, mas qual compromisso do prefeito Zé Queiroz com os partidos? A primeira alternativa é a unidade da Frente Popular e um novo projeto deve ser apresentado, porque esse não está aprovado pela população. Temos que fazer um programa de governo e garantir a execução do mesmo. Veja a questão da saúde, tive que ir para as emissoras de rádio e dizer que a secretária estava acabando com a saúde em Caruaru, só assim para ele tirar a secretária. Com relação a BR 104, vamos sentar com o Comitê Gestor para analisar a situação. Houve um erro na construção da obra e estou recebendo muitas reclamações, mas vamos sentar para resolver o problema, a população precisa de uma resposta”, disse.

 

 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro