A campanha de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco começa a explorar com mais intensidade dois personagens com forte presença nas redes sociais para ampliar o diálogo com segmentos específicos do eleitorado. De um lado, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), esposa do candidato, ganha espaço para reforçar a comunicação com o público feminino. Do outro, o cantor de brega funk Anderson Neiff aparece como aposta para aproximar João dos eleitores mais jovens.
A presença de Tabata ganha peso especialmente porque João enfrenta uma chapa formada por duas mulheres: a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e a vice-governadora Priscila Krause (PSD). Embora já acompanhasse o marido em agendas de campanha, principalmente nos finais de semana, a parlamentar passou a aparecer também de maneira mais destacada no guia eleitoral e nas redes sociais.
Nesta segunda-feira (31), Tabata dividiu com João uma inserção dedicada à proposta de ampliação do Pé-de-Meia em Pernambuco. A campanha apresentou três modalidades adicionais do benefício voltadas aos estudantes da rede pública estadual: Pé-de-Meia Férias, Pé-de-Meia Técnico e Pé-de-Meia Empreendedor.
No vídeo, Tabata destaca a importância do programa federal e defende sua ampliação no Estado. A deputada também tem uma trajetória política ligada à educação, tema que João procura colocar entre os principais eixos de sua campanha.
A participação da parlamentar, porém, vai além da apresentação de propostas. Nas redes sociais, Tabata entrou diretamente na disputa política pernambucana ao publicar um vídeo sobre as denúncias relacionadas ao chamado “gabinete do ódio”.
Na gravação, a deputada fala em uma “engrenagem suja e mentirosa” e acusa o uso de dinheiro público para atacar adversários na internet. Tabata afirma ainda que ela própria seria alvo de ataques coordenados há mais de um ano.
Sem mencionar nominalmente Raquel Lyra, Tabata faz uma referência à governadora ao afirmar que “a suspeita de coordenar esses ataques é uma mulher que devia saber quão dura é a vida da mulher na política”. Ao final, acrescenta: “quem não tem projeto para governar, contrata gabinete do ódio”.
As declarações fazem referência às suspeitas levantadas a partir de reportagem da Record. Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a retirada de publicações que apresentavam como comprovada a existência de um suposto “gabinete do ódio” ligado ao Governo do Estado, entendendo que as informações disponíveis não permitiam tratar as suspeitas como fatos já demonstrados.
Ao colocar Tabata mais diretamente na campanha, o grupo de João também passa a contar com uma voz feminina para fazer o contraponto político a Raquel e Priscila. A deputada, entretanto, precisa dividir sua presença entre Pernambuco e São Paulo, onde disputa a reeleição para a Câmara Federal.
Outra frente da estratégia mira uma faixa etária diferente. A campanha aposta na popularidade de Anderson Neiff, nome conhecido do brega funk pernambucano e com forte presença nas plataformas digitais, para estabelecer uma comunicação mais próxima com o eleitorado jovem.
A combinação mostra uma tentativa de diversificar os personagens em torno de João Campos durante a campanha. Enquanto Tabata agrega o discurso ligado à educação, à participação feminina e ao debate político nacional, Anderson Neiff oferece uma linguagem associada à cultura popular e às redes sociais, especialmente entre os mais jovens.
Com a disputa entrando em uma fase de maior exposição no rádio, na televisão e nas plataformas digitais, a campanha de João procura ampliar o alcance para além da imagem do próprio candidato, colocando diferentes vozes em campo para disputar segmentos específicos do eleitorado pernambucano.
