22 de março de 2012 às 16h05min - Por Mário Flávio

O assessor de articulação do agreste da FUNDARPE, Hérlon Cavalcanti, já teve espaço no blog para falar sobre os projetos culturais que está trazendo para a cidade, mas desta vez a entrevista gira em torno de sua postulação política para se candidatar a vereador pelo PT. Especificamente, ele se considera um sucessor do vereador Rogério Meneses, que sairá de Caruaru para disputar a prefeitura de Imaculada, na Paraíba. Na entrevista, Hérlon discute a atual estrutura do PT, possibilidade de outras candidaturas e também sobre a articulação que tem realizado com o prefeito José Queiroz (PDT), buscando sanar desentendimentos entre o prefeito e sua tendência interna no partido, a Mensagem ao Partido, encabeçada por Rogério. Além de militante e assessor da Fundação, Hérlon também comanda um programa na Rádio Cultura do Nordeste semanalmente.

Johnny Pequeno –  Desta vez nós vamos falar de política caruaruense e o primeiro assunto que eu gostaria de abordar é: você se considera de fato um sucessor de Rogério Meneses?

Me considero, com muito orgulho…

Mas eu havia conversado com Josué Euzébio algum tempo atrás e ele disse que era preciso que o PT entrasse em consenso para não haver discursos isolados, pois a questão não seria saber quem é sucessor de Rogério, mas como fortalecer o partido para que houvesse condições de surgirem novos candidatos. Qual sua opinião sobre isso?

O PT é um partido forte, que vem dando um show de administração com os recursos que são mandado do Governo Federal, só que o PT de Caruaru ainda não discute a gestão, não faz uma política em que o PT esteja sendo representado. Eu respeito a opinião de Josué, mas discordo porque nosso grupo, do qual Rogério é o cabeça, foi que colocou Rogério no Ibama, que o colocou no Detran, que ganhou duas eleições internas e ganhou a última eleição que colocou Josué na presidência do diretório, e é o grupo que garantiu a eleição do próprio Rogério Meneses para vereador. Então, seu eu faço parte desse grupo e sou cotado como candidato, eu represento a sucessão de Rogério, mas claro que nós esperamos que outros colegas também consigam se eleger para termos uma bancada mais forte, seja quem for que seja do PT.  Agora claro, eu tenho perfil e Rogério, outro. Enquanto Rogério passou por uma trajetória difícil, passou por sofrimento, batalhou como agricultor por 22 anos, depois entrou pelo universo da cantoria. Eu tive contato com o mundo da poesia desde pequeno, através de meu pai, Lídio Cavalcanti, e isso formou o perfil que as pessoas têm de mim atualmente, mais ligado à cultura. No entanto, eu e Rogério somos iguais na honestidade e na coerência.

As especulações sobre as possíveis pré-candidaturas do PT causaram burburinhos entre as tendências internas do partido na cidade, o que dá a entender que esses grupos não estão chegando a um consenso. Então, como as tendências tem se articulado em torno das eleições?

É… Hoje o PT tem quatro tendências em Caruaru. A DS, que Adilson Lira comanda junto com Cloves e Eduardo Guerra, tem a MAIS, que é o grupo de Louise Caroline, representada também pela secretária Especial da Mulher, Elba Ravane. Tem a AE, que era a tendência da qual Paulo Nailson fazia parte e tem a nossa tendência que é a Mensagem ao Partido. Durante a história do PT, essas tendências surgem para fortalecer o debate da legenda. Algumas pessoas podem dizer que não querem fazer parte do partido porque há muita briga interna, mas eu cito o exemplo das últimas eleições para o senado. Mas, a partir do momento, por exemplo, em que meu nome foi escolhido pela Mensagem ao Partido para representar a sucessão de Rogério, o grupo conseguiu avançar no diálogo com o grupo de Louise, que foi decisivo, aliás, para eleger Rogério Meneses nas últimas eleições. É um grupo que eu admiro muito pela voz forte da juventude. Então se eu levasse para o lado pessoal esses desentendimentos entre ela e Rogério, seria um erro para manter o diálogo. Com o tempo a gente vai amadurecendo e toma consciência de que é necessário compreender as necessidades do outro. E eu acredito que Josué já está sendo um líder do partido que fará com que um grupo entenda o outro.

Então, vamos fazer uma análise hipotética: imagine que estamos perto dos resultados das eleições e que você já estaria praticamente eleito junto com outro candidato do PT. Qual petista você gostaria que fosse: Zé Carlos Menezes, Eduardo Guerra, Dja Vasconcelos, ou outro nome específico?

Todos os nomes são bons, mas escolher um é complicado. Conheço Zé Carlos dos movimentos, da política, acompanhei sua trajetória, Eduardo Guerra é outra escolha interessante, já foi candidato a prefeito, pelo PCdoB, e inclusive minha família votou nele, embora eu tenha votado em João Lyra na época, Dja é meu compadre, pardinho do meu filho, meu amigo há 30 anos, outros nomes que possam surgir seriam importantes. No entanto, é necessário que apareçam nomes importantes, que somem, não podemos ir para uma coligação, chapinha ou chapão, sem nomes que tenham votação pesada, sob risco de perder a cadeira que temos na Câmara hoje. Acredito que Zé Carlos Menezes não é candidato, ele vem conversando conosco e disse que o projeto dele era mais pra frente. Eduardo nunca pronunciou que poderia ser candidato. Do grupo de Louise, pode ser que somem com nosso grupo ou mesmo que lancem alguém, mas Louise já havia confirmado que não será candidata. E Dja tem dito que é pré-candidato e é um nome forte. Mas discutir essas possibilidades é importante para fortalecer o partido, o debate é necessário, mas é preciso nomes de peso. Eu particularmente gostaria de um mulher do partido para ocupar uma vaga na câmara. Poderia ser Jô, da Comadres Produções, ou a própria Elba Ravane…

Mas, você acredita que a juventude do PT atualmente tem essa voz forte que você citou? Porque eu tenho observando que a juventude de oposição consegue se expressar mais na mídia, com erros e acertos, mais do que qualquer juventude da situação.

Sim, ela tá muito forte e acredito em articulações que possam acontecer, importantes para a cidade e acredito no debate entre os jovens. Hoje eu sou o mais jovem atuante na Academia de Letras de Caruaru, mas Onildo Almeida, que tem 84 anos, está com um espírito mais jovem que o meu. Sabe por quê? Porque as minhas ideias fizeram renascer nele o espírito de juventude, de renovação. Então, se Elba, que tem a idade de ser minha filha, tem capacidade para trazer ideias fantásticas para o partido, eu só posso dizer “deixa eu te ajudar”. Eu acredito que o PT de Caruaru está acordando e tenho certeza que o partido terá participação muito importante nas eleições de 2012.

Agora, eu me lembro que já entrevistei o deputado João Paulo e ele salientou que viria a Caruaru buscar votos para Zé Queiroz. Mas, Rogério Meneses tem diferenças com o prefeito e em determinados momentos já demonstrou uma mágoa política em relação a ele. Sendo assim, você, como sucessor de Rogério, iria lutar abertamente por uma reeleição de Zé Queiroz?

Sem dúvidas, meu candidato em Caruaru é da Frente Popular e acredito muito que será Queiroz. João Paulo já nos disse que o candidato é Queiroz e o meu candidato é Queiroz, mas algumas pessoas dizem “e se o candidato for Lícius, pela Frente Popular, por exemplo”… Bom, que seja também, desde que seja um nome forte que possa contribuir para o projeto de governo. Mas, o PT tem uma grande aproximação com o PDT. Queiroz já disse em Recife que o candidato dele é do PT. E é uma coisa importante dizer que eu já tive duas conversas com Douglas Cintra e tive uma conversa muito boa com Queiroz. Foi uma conversa de alinhamento, pois a partir do momento em que meu nome foi escolhido, eu comecei a quebrar barreiras de alguns que estavam magoados. E o próprio Rogério já entendeu que o diálogo a respeito de candidatura passa por mim. E na reunião que tive com o prefeito, ele se abriu e cito pontos muito importantes para essas eleições, além de ter percebido que meu perfil é diferente do de Rogério. Eu sonho com uma reeleição de Zé Queiroz e com uma gestão em que haja mais espaço para o PT no governo. A culpa não é do prefeito se há dificuldade nos diálogos, é de todos nós, porque foram definidos cargos na administração sem haver muito diálogo entre o PT e o governo.

Então a figura de prefeito centralizador e que não tem capacidade de diálogo levantada por alguns políticos magoados em Caruaru não é tão concreta assim?

Não, o prefeito é de uma linha de políticos de 40 anos atrás, mas é um político moderno, ele não tem a mente fechada. Quando ele vai inaugurar uma obra, ele chora, mas não é demagogia, é porque sabe que é importante para o desenvolvimento do município. E, outra, o PT na atual gestão teve uma Secretaria Especial da Mulher, uma Diretoria de Cultura, teve cargos dentro da administração, então veja que foi um avanço. Agora se esses departamentos funcionaram da forma como deveriam ou se tiveram espaço como deveriam, é outro ponto a ser discutido com a gestão. Isso porque todos nós temos erros e acertos e o prefeito me demonstrou que reconhece muitas das angústias de nosso grupo. No entanto, eu também fui muito claro em mostrar que minha liderança municipal é Rogério e estadual, é João Paulo, o que eu acho que fez o prefeito respeitar meus argumentos.

E por que o PT deveria acreditar na sua candidatura?

Bom, eu acredito que se eu fizer o que Rogério fez, já é um grande avanço. Eu não quero ser reconhecido apenas por um segmento. Não quero ser chamado de “Fulano de não sei onde”. Lógico, minha bandeira principal é a cultura, mas é preciso pensar Caruaru como um todo. Minha ideia é desenvolver um mandato participativo, criando um gabinete que se componha de profissionais de cada área de infraestrutura do município, para que possamos debater os problemas e soluções para a cidade. Minha bandeira não é só a cultura, também é a cultura.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro