9 de fevereiro de 2014 às 10h45min - Por Mário Flávio

Acusado pela revista Época de sabotar a política de pacificação das favelas cariocas, o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) reagiu e anunciou que entrará com ação judicial contra a publicação. Na reportagem (leia aqui), ele é acusado de atuar em parceria com o ex-chefe de polícia Álvaro Lins para sabotar as UPPs.

A resposta de Garotinho foi publicada em seu blog. Adversário histórico das Organizações Globo, ele lidera as pesquisas de intenção de voto, no Rio de Janeiro e diz que a emissora dos Marinho teme sua eventual vitória.

Leia, abaixo, um trecho da resposta de Garotinho:

A Época publica na sua edição deste final de semana uma matéria recheada de mentiras, ofensas e ficções, que certamente terá como resultado mais uma ação judicial contra as Organizações Globo com pesada indenização, como, aliás, há sete anos a revista foi condenada em me indenizar em R$ 300 mil, valores da época.

Sob o título “Garotinho sabotador da pacificação” a revista mistura mentiras com ficção como vocês poderão entender agora. O projeto das UPPs vive no momento uma crise e a Época ao invés de apontar os verdadeiros culpados pelo fracasso do programa afirma que eu através do meu blog consegui desestabilizar a política de segurança do governo Sérgio Cabral. Sinceramente eu não sabia que eu tinha tanto poder e que o meu blog tinha tantos leitores.

O mais grave da matéria é que esconde dos leitores os reais motivos do fracasso das UPPs. O modelo do Rio não tem similar em lugar algum porque ignorou dois princípios básicos. Primeiro os bandidos do Rio não são presos, como aconteceu na Colômbia e em outros países, pelo contrário recebem aviso prévio para se mudarem temporariamente para outros lugares. Segundo: não existe ocupação social, aliás, Cabral extinguiu todos os programas sociais criados por mim e Rosinha. Com os bandidos soltos e sem ocupação para os jovens o tráfico retoma rapidamente o seu papel. Hoje o depoimento de qualquer morador de comunidade com UPP é que a polícia virou segurança de traficantes. As feiras de drogas funcionam livremente desde que não haja armamento à vista.

A matéria inventa que eu mantenho um bunker onde recebo dossiês para serem publicados no blog, na Rua Senador Dantas. Gostaria de saber quem trabalha nesse endereço e quem são os funcionários. A revista publica uma foto de 2004, dez anos atrás, quando eu era secretário de Segurança, ao lado de Álvaro Lins, e publica dois diálogos de gravações um ocorrido em 2004 e outro em 2005 como se fossem atuais. É muita cara de pau e anti jornalismo.

A reportagem escrita num tom de campanha pró-Cabral insinua que eu tenho ligações com traficantes e ignora que os maiores traficantes do Brasil, inclusive Fernandinho Beira-Mar, o maior de todos, foram presos por mim. Cinismo desavergonhado! Logo de quem? Das Organizações Globo. Devem estar preocupados com a minha liderança nas pesquisas para o governo do Estado.

A matéria aproveita para requentar histórias velhas sem nenhum fundamento e esconde dos leitores que Beltrame recebia salários de marajá, acima do teto constitucional de R$ 26 mil, ele recebia mais de R$ 40 mil, e foi após a denúncia no meu blog, que um advogado conseguiu na Justiça suspender as regalias que recebia no governo de Cabral. Se as Organizações Globo querem achar um culpado pelo fracasso das UPPs bata na porta de Sérgio Cabral.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro