A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 ganhou uma estrutura formal e passou a operar com uma coordenação centralizada e divisão de responsabilidades em áreas estratégicas. Principal nome da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio montou uma equipe com quatro frentes principais: programa de governo, jurídico, infraestrutura e comunicação.
O comando político da pré-campanha foi entregue ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que tem desempenhado papel central na articulação nacional do projeto. Com trânsito no Congresso Nacional, no setor produtivo e entre representantes do funcionalismo público, Marinho é apontado como um dos principais responsáveis pela consolidação da candidatura.
Segundo aliados, em cerca de seis meses de articulação, a equipe ajudou a organizar ao menos 22 palanques estaduais, número considerado expressivo para o estágio atual da pré-campanha.
Estrutura da pré-campanha
A coordenação liderada por Rogério Marinho foi dividida entre nomes com atuação específica em cada área:
- Programa de governo: Eduardo Cury, ex-deputado federal com perfil técnico e experiência na formulação de políticas públicas;
- Jurídico: Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet. Bucchianeri é ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e referência na área eleitoral;
- Infraestrutura e dia a dia da campanha: Vicente Santini, responsável pela organização de agendas e articulação operacional;
- Comunicação: Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo próximo de Flávio Bolsonaro e integrante do núcleo de confiança do senador.
Embora Rogério Marinho tenha papel de destaque, a campanha evita concentrar excessivamente as atribuições em uma única figura, optando por um modelo de gestão mais distribuído.
Programa de governo é mantido sob sigilo
O grupo responsável pela elaboração do programa de governo já realizou cerca de 80 reuniões desde setembro do ano passado. Participam das discussões representantes do mercado, da academia e da política.
Apesar do volume de debates, o conteúdo vem sendo mantido em sigilo. A estratégia busca evitar desgaste antecipado de propostas e impedir que pontos específicos sejam explorados pelos adversários no período pré-eleitoral.
Entre aliados de Flávio Bolsonaro, há a avaliação de que a apresentação do plano de governo deve ocorrer apenas no momento considerado mais adequado da campanha, após a consolidação da base política e do discurso nacional.
