23 de março de 2013 às 08h55min - Por Mário Flávio

Nelson Barbalho

A segunda quinzena de março contou com o início de uma série de mobilizações de estudantes de escolas estaduais em Pernambuco, que não aceitam a indicação de novos gestores através da lista tríplice, o sistema implantado pelo governo do estado para selecionar diretores escolares, pelo qual os nomes dos candidatos mais votados é enviado ao governador, que escolhe um deles para dirigir a unidade, ainda que não tenha sido o mais votado. Os estudantes estão protestando contra a recente lista de novos diretores designados para as 253 escolas de referência em ensino médio (EREM) e de 20 escolas técnicas em todo o Estado. E a forma que encontraram para se posicionar: chega de assistir às aulas.

No contexto

Em Caruaru, estudantes protestam na Escola Nelson Barbalho contra mudança de gestora e querem eleição direta

Os manifestantes argumentam que não há participação da comunidade escolar no processo de indicação do gestor, apenas a realização de provas, análise de currículos e entrevista. Na Capital do Agreste, o foco principal de manifestações é a Escola Estadual Nelson Barbalho, onde os estudantes decidiram pela greve desde a segunda-feira (18), quando souberam que a atual gestora, Erundina Maria da Silva, havia ficado entre as três opções da lista, mas que não foi a indicada para continuar no comando da unidade. Ela vinha atuando na escola há 10 anos. No dia das primeiras manifestações, os alunos fizeram passeata durante a tarde e pediam a permanência da gestora, mas principalmente, a realização de eleições diretas.

Para o presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Caruaru, Gleison Rodrigues, o estado precisa fazer a comunidade escolar decidir a indicação dos gestores. “Há protestos em 5 escolas estaduais pelo estado. Em Caruaru, as manifestações começaram no Nelson Barbalho e houve ainda dois dias de greve na escola Dom Vital, mas a mobilização lá foi encerrada depois de assembleia em que foi definido um prazo para que a Secretaria de Educação institua um processo de eleição direta na unidade, e caso isso não ocorra, os estudantes ameaçam interromper as aulas de novo. No entanto, é preciso deixar bem claro que não estamos lutando simplesmente pelo retorno dos gestores, mas defendemos que a comunidade escolar decda os rumos da gestão da escola. A greve no Nelson Barbalho continua e planejamos intensificar o movimento a partir na próxima semana”, explicou.

SELEÇÃO

Na verdade, o processo de seleção da nova gestão na Escola Nelson Barbalho ocorreu de forma diferente, por ser uma unidade de referência, diferente da Escola Dom Vital, classificada como regular. O diretor da Gerência Regional de Educação, Antonio Fernandes, ressaltou que no processo de indicação da nova gestora do estadual, foi levado em consideração o Índice de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco (IDEPE), que ficou abaixo do esperado na unidade caruaruense.

“Houve processo seletivo, foi publicado em Diário Oficial, gestores passaram por um curso, aberto a todos os professores da Rede. Eles teriam que tirar uma nota para poder participar do processo.Mas houve dois modelos para aprovação. Um para escolas regulares, com apresentação de plano de trabalho, avaliação desse plano pela comunidade escolar e depois encaminhamento para o governador. Outro para escolas de tempo integral, em que foi considerada a nota do IDEPE. As escolas que tivessem nota acima de 4, não participariam do processo de seleção. O estadual teve IDEPE abaixo de 4, os estudantes e professores devem ter esse entendimento. Nesse caso, houve um critério diferente: foi apresentado um plano de trabalho para o Programa de Educação Integral, foi apresentado um currículo de cada candidato, e depois houve entrevista com eles. Erundina ficou em terceiro lugar. O processo é legítimo e ocorreu no estado inteiro”, explicou o diretor.

Na defesa da Secretaria Estadual de Educação, teoricamente o sistema da lista tríplice garantiria opções ao governador para nomear aquele que realmente exercesse compromisso a qualidade do ensino e estrutura da unidade. Mas do lado dos manifestantes, o argumento de que não se consulta a comunidade escolar, que integra professores, pais e alunos, para definir o processo seletivo.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro