15 de dezembro de 2012 às 15h25min - Por Mário Flávio

Em homenagem à estreia do filme nacional Ferrolho, lançado na noite de sexta-feira (14), no Teatro Rui Limeira Rosal – Sesc Caruaru, o Blog do Mário Flávio reproduz a reportagem especial feita para a Revista Conteúdo, em novembro de 2011, que apresentava as etapas de produção do filme.

Reportagem de Mário Flávio

O Alto do Moura é o cenário principal do primeiro filme longa metragem rodado em Caruaru. Intitulado de Ferrolho, a película é assinada pelo cineasta Taciano Valério. Com uma vasta experiência na área, esse paraibano que há quase quatro anos mora na Capital do Agreste, decidiu investir numa obra que mostre a riqueza cultural da nossa região.

No elenco, estão os atores paraibanos Zezita Matos, Everaldo Pontes, Paulo Phellipe e Verônica Cavalcanti, e os pernambucanos Igor Lopes e Severino Florêncio, que é aqui mesmo de Caruaru e tem atuação destacada por fazer parte do cenário teatral da região, já que há 13 anos faz parte do elenco da Paixão de Cristo. Mesmo com as gravações do longa previstas para o fim de novembro e início de dezembro, a equipe da Conteúdo esteve presente no primeiro encontro do elenco, realizado em meados de outubro.

No contexto

Acesse o blog do filme Ferrolho

Na ocasião, houve o primeiro ensaio do grupo. A história de Ferrolho se passa num núcleo familiar conturbado formado por personagens que vivem do trabalho com o barro. Uma dessas personagens é Odete, interpretada pela experiente atriz paraibana Zezita Matos. Com mais de 50 anos de teatro e participação em filmes como Baixio das Bestas, Zezita interpreta Odete, uma nordestina que vive uma relação conflituosa com o filho e principalmente com o marido, um artesão frustrado que se entregou a bebida. Ela acredita que a gravação da película pode dar uma guinada na produção do cinema no Agreste:
– A produção pernambucana é muito grande e com esse filme rodado aqui, a cidade de Caruaru entra de vez nessa rota. Esse filme vai retratar a realidade dos artesãos do Alto do Moura. É uma proposta relevante para valorizar a nossa cultura.

A cidade de Caruaru está representada pelo ator Severino Florêncio. Com mais de 30 anos de carreira e atuação destacada na Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém, ele vive no filme o papel de um padre, que observa tudo e emite opinião sobre a vida das pessoas. Além disso, ele vive um amor escondido com Odete e aproveita cada oportunidade de se dar bem. Para Severino, esse tipo de produção em Caruaru ajuda no intercâmbio das informações e é necessário para o engrandecimento do teatro local. “A vida nos dá oportunidades e conheci Taciano Valério. Recebi o convite e aceitei o desafio de participar do filme. Está sendo um prazer reencontrar amigos como é o caso de Zezita, a gente tinha se encontrado em alguns festivais e com o filme Ferrolho vamos ter a possibilidade de atuar juntos. Temos muita qualidade aqui e quase nada é explorado. Faz pouco tempo que achava que o cinema acontecia em todos os locais, menos aqui em Caruaru e que faltava essa oportunidade na carreira de muita gente, afinal, a experiência do cinema é muito diferente e esse contato com atores e diretores experientes é essencial. Com essa iniciativa, a realidade começa a mudar”, explicou.

Ferrolho é nome do personagem principal do filme, um jovem torcedor do Central

Ferrolho é o personagem principal do enredo, um jovem torcedor do Central, que vive uma vida complicada. Mora com a mãe e não tem o convívio com o pai. O futebol é uma fuga da realidade e o Central é a válvula de escape para ele. O personagem é interpretado pelo jovem ator Paulo Phelippe, que tem apenas 20 anos, mas já participou de peças e longas importantes na Paraíba, tendo como base o teatro de rua. Ele foi escolhido pelo diretor Taciano Valério após o mesmo ver o longa “Tudo que Deus Criou”, de André da Costa. A parceria entre os dois já rendeu participação de Paulo Phellipe no filme “Onde Borges Tudo Vê”, primeiro longa de Taciano, que entra em cartaz no mês de novembro. Segundo Paulo, o personagem vai agradar em cheio aos caruaruenses, principalmente pelo amor que o mesmo tem pelo Central Sport Clube. “O Ferrolho é um rapaz inteligente, mas que projeta os seus conflitos nas pessoas e é justamente essa forma de projetar esses conflitos que vai nortear o enredo dessa obra. O fato de ele ser fanático pelo Central ajuda para que minimize os problemas na família. O amor pelo Central permite que o mesmo consiga fugir da realidade”, comentou.

O diretor Taciano Valério esteve eufórico durante a produção do filme. Logo nos primeiros ensaios ele observava cada detalhe e tenta passar para os atores o que foi pensado, mas ele deixou bem clara uma situação: o ator não deve se prender ao texto e tem a possibilidade de inovar em algumas cenas, só assim, ele acredita que a criatividade de cada um vai ser explorada. O diretor tem um vasto currículo no cinema nacional, com premiações em diversos festivais com a produção de curtas.
A decisão de gravar um filme e ter como base o Alto do Moura é devido a identificação que o mesmo tem com Caruaru, mesmo ele não sendo natural da cidade. Segundo ele, os quase quatro anos de convívio na Capital do Agreste, permitem essa identidade com a realidade local, que passa por um momento de evolução. “A cidade possui muitas dificuldades, mas vemos um percurso de transformação, e para mim numa situação mais positiva. E é justamente nesse nível de transformação que existe hoje na cidade, que está inserida a perspectiva da arte e devido a minha ligação com o cinema, percebi que Caruaru seria a cidade ideal para rodar meus filmes. Essa é a minha terceira produção aqui e vamos inserir no enredo a mídia televisiva, o rádio e o Central”, apontou.

Segundo o autor, a ideia de inserir o clube centralino se deu devido a falta de torcedores do time na cidade, já que ele não entende os motivos da maioria da população torcer por times do Recife. As gravações do filme começam no fim de novembro e devem ir até o dia 20 de dezembro. A película conta ainda com a participação especial de repórteres da Rádio Liberdade, além de figurantes do próprio Alto do Moura

EQUIPE

A equipe técnica do filme é formada por Taciano Valério (direção), David Sobel (assistente de direção), Guga S. Rocha (som direto), Breno César (direção de fotografia), Pablo Giorgio (assistente de fotografia), Iomana Rocha (diretora de arte), Yanna Luz (assistente de arte), Talitha Freitas e Camila Pessoa (produção de figurino e objetos, ambas de Caruaru). A equipe de produção é formada por Natália Lopes e Ludimilla Carvalho (direção de produção), João Molins (produtor executivo), Val Barros (assistente de produção executiva) e Yanara Galvão (produtora local).


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro