5 de abril de 2013 às 07h25min - Por Mário Flávio
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Demóstenes criticou a forma como professores estão reagindo

Sem poderem entrar na Câmara de Caruaru, devido à determinação da presidência do legislativo de não superlotar a galeria, os professores da rede municipal fizeram nova manifestação em frente à Casa na noite dessa quinta (04). Utilizando cartazes e até máscaras representando os vereadores, prefeito Zé Queiroz e até do deputado federal Wolney Queiroz (PDT), eles voltaram a cantar a paródia “Escravos de Zé”. Mas dessa vez, os vereadores da base do governo foram mais enérgicos em suas reações e tomaram o Sindicato dos Servidores Municipais de Caruaru (SISMUC) como principal alvo, ao afirmarem que a entidade tornou a manifestação político-partidária.

No contexto

Eduardo Mendonça: “Não faço oposição, luto pelos direitos dos professores”

Mesmo impedidos de lotar Câmara de Caruaru, professores protestam e chamam vereadores de “Escravos de Zé”

Val: “Não acredito que o movimento tenha a participação de João, Raquel ou Miriam”

Na verdade, o discurso esteve mais centrado ao presidente do sindicato, Eduardo Mendonça, ligado à base de oposição à atual gestão, do que aos próprios professores. Contudo, o líder do governo, Dr. Demóstenes (PSD), ressaltou que os protestos contra os edis são ofensivos e não ajudam a abrir espaço para diálogo. “Qual é essa democracia que eles pedem quando nos atacam de forma pessoal e não nos respeitam enquanto representantes que foram eleitos pela população? A lei já foi sancionada e a Câmara não pode trazer o projeto de volta para ser discutido, a alteração do PCC agora é uma discussão da Mesa de Negociação com a prefeitura. Em reunião anterior eu citei que não adiantaria aos vereadores se desculpar com essa minoria que está se manifestando e citei até o vereador Jajá, mas não para ofendê-lo, e sim porque esses manifestantes não representam toda a categoria, apenas uma parte, orientada pelo SISMUC, que deu uma conotação política a essa manifestação, através da qual tenta-se apresentar uma imagem negativa dos vereadores. Na verdade, essas mesmas pessoas que estão protestando e me chamando de inimigo da educação, no passado me aplaudiram quando defendi projeto de minha autoria para instituir eleições diretas para gestores escolares”, criticou o vereador.

Já o presidente da Comissão de Educação na Câmara, Edjailson Santos (PT do B), chegou até a dizer que iria solicitar ao presidente da Casa, Leonardo Chaves (PSD) que o Ministério Público fosse acionado. “Durante esse tempo todo, essa minoria de professores nunca me procurou para discutir as reivindicações deles. Essa reclamação parte de um sindicato pelego, que tenta manchar a imagem dos vereadores, nós que votamos um projeto que traz um PCC com 98% de coisas boas para a categoria. Com qual critério eles nos chamam de inimigos? Eu amo os professores, um de meus assessores é professores, mas eu amo os professores de qualidade. O que está sendo feito na Câmara é perturbação do sossego e o Sindicato poderia ser penalizado por isso, já que é a entidade que está a frente das mobilizações. O palanque foi desmontado depois da eleição, não está na hora do presidente do Sismuc, Eduardo Mendonça fazer politicagem. Eu não entregaria um filho meu a nenhum desses professores que estão protestando. Quando nós nos pronunciamos na tribuna, eles viram as costas, isso é uma falta de educação. Eu mesmo vou pedir ao presidente da Casa para acionar o Ministério Público a fim que o sindicato seja autuado”, reclamou o parlamentar.

Leonardo Chaves foi mais ameno e disse ao blog que não se faria necessário acionar o Ministério Público, mas corroborou os argumentos dos colegas, citando inclusive o fato de que o protesto sobrou até para o deputado Wolney Queiroz, filho do prefeito. “Percebe-se que essa manifestação ganha um tom claramente político quando eles nos atacam pessoalmente e tentam ampliar o alcance desse protesto, tentando atingir até o deputado Wolney Queiroz, que não tem qualquer relação com a elaboração do projeto, mas foi alvo de ofensas por parte dos manifestantes”, salientou.

Os manifestantes saíram do local antes do término da reunião, que durou até 00h, mas segundo um dos diretores do SISMUC, Carlos Amaral, as manifestações seguirão, mesmo com restrições à entrada dos manifestantes. “Nós estamos sendo impedidos de lotar a galeria, mas não vamos desanimar e a mobilização não vai enfraquecer”, reforçou o sindicalista. Em paralelo, na manhã desta sexta (05), membros do Sismuc vão a Recife para entrar com um agravo contra a liminar da Vara da Fazenda que considerou as paralisações dos professores como greve ilegal.

Manifestação dos professores

Professores usaram máscaras para representar o prefeito e vereadores


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro