3 de julho de 2012 às 10h34min - Por Mário Flávio

O deputado federal Paulo Rubem enviou nota ao Blog de Magno Martins na qual criticou a posição do presidente estadual do PDT, o prefeito Zé Queiroz, cita que ele representa uma força de atraso dentro do partido e inclusive destaca a frágil relação dele com o vice-governador João Lyra. Paulo Rubem insiste em uma candidatura própria do PDT em Recife baseado em resolução que prioriza a apresentação de candidaturas próprias especialmente nas capitais.

“Caro Magno,

Boa noite, já é bom dia em Brasília.

Li agora à noite as declarações do presidente estadual do PDT acerca da reunião da Executiva Nacional do partido, que nesta terça,certamente, fará valer a diretriz contida na Resolução No.04, que prioriza a apresentação de candidaturas próprias nessas eleições, em especial nas capitais.

A validade e a primazia dessa diretriz são reconhecidas pelo próprio TSE em Resolução vigente, que assegura às instâncias nacionais a anulação de decisões de instâncias inferiores quando essas contrariem diretriz nacional, medida sábia e que visa fortalecer as agremiações nacionalmente, evitando-se que as mesmas se transformem em federações estaduais e municipais de direções autonômas, fazendo do partido o que bem entendem.

Mais claro e óbvio impossível.

O melhor da declaração é que, depois de meses e meses em silêncio, no anonimato, com toda a imprensa lhe atribuindo offs contra a nossa candidatura, o Presidente Estadual, enfim, falou abertamente que é contra nossa candidatura, esquecendo-se, porém, de citar, guiar e respeitar a Resolução No.04 de 2012, da direção nacional, que deveria conhecer e implementar, pois ocupa hoje o Cargo de Consultor Jurídico da Comissão Executiva Nacional do partido.

Sua desnecessária agressividade contra mim na nota enviada ao seu blog só revela a preocupação de quem percebe que o PDT não mais caberá em suas mãos no Recife nem dependerá mais de suas nomeações provisórias para a direção partidária, com o pleito eleitoral que se avizinha.

Sou 2o.Vice-Líder do PDT, Líder da bancada do partido na Comissão Mista de Orçamento, a maior do Congresso, fui autor, com o aval do Líder André Figueiredo, 1o.Vice-Presidente Nacional do PDT, do destaque pelo qual aprovamos a meta de financiamento de 10% do PIB para a educação nos próximos dez anos.

O PDT, portanto, me conhece e sabe de nossa capacidade de trabalho pelo partido.

Suas avaliações sobre o que é o PDT no Estado são dispensáveis. Falta ele explicar quantos vereadores, prefeitos e vices o partido elegeu em 2008, em quem votaram em 2010 e quanto ainda estão no PDT.

E toda a área política do Estado sabe que dois, dos três deputados estaduais do partido, não foram eleitos por serem do PDT, mas por serem filhos e herdeiros políticos dos atuais prefeitos de Ipojuca e Carpina, sem cujas relações dificilmente chegariam ao legislativo estadual.

Por que o Presidente Estadual do PDT omite esses fatos e quer faturar a eleição desses mandatos como fruto do que ele chama de “um partido organizado”?

Suas avaliações acerca da construção da candidatura do PDT no Recife, embora tenha sido procurado por nós dezenas de vezes sem nos dar retorno, espelham cristalinamente a visão dominante em torno de certas alianças, só consideradas válidas se engordadas por legendas e mais legendas, palanques gigantes, fato em desacordo com as coligações que, embora pequenas, em 1985,2000 e 2006 elegeram, respectivamente, Jarbas prefeito de Recife, João Paulo prefeito e Eduardo Campos Governador.

Essas lideranças só obtiveram êxito porque agiram com garra, como Brizola sempre fez, corajosamente. Foram em busca do voto do cidadão de forma aberta e franca, sem temerem os adversários, sem atuarem contra seus próprios partidos, sem jogarem fora as oportunidades, como quer fazer o presidente Estadual do PDT agora.

Enquanto os candidatos agora oficialmente lançados por outros partidos e coligações dizem que ainda não discutiram nada e vão ouvir o povo a partir de agora, foi a estratégia da candidatura própria que coordenei a que primeiro mobilizou a sociedade com a realização de sete seminários.

O Recife com um futuro sustentável, reunindo em dois meses mais de 800 pessoas, mestres, doutores, gestores públicos, pesquisadores altamente qualificados, consultores internacioniais colocando em discussão os problemas e as propostas para o Recife.

Foram esses debates e as diversas entrevistas que a imprensa fez conosco sobre a pré-candidatura que deram visibilidade, voz e protagonismo ao PDT do Recife e mobilizaram milhares de novos apoiadores pelas redes sociais. Parece-nos, porém, que isso incomodou a algumas pessoas, pois tirou o PDT das trevas, do silêncio e da pouca representatividade social revelada pela provisoriedade de seus atuais dirigentes.

Ao afirmar que nossa trajetória não reuniu apoio das lideranças do PDT no Estado o presidente estadual deveria, em primeiro lugar, explicar porque não consegue, mesmo há vários e vários anos como presidente estadual e já no terceiro mandato em Caruaru, ter ao seu lado o vice-governador do Estado, João Lyra Neto, com quem fui deputado estadual entre 1995 e 1998 e cuja principal base política histórica vem a ser exatamente a cidade Caruaru, onde foi prefeito.

O presidente estadual acostumou-se a ter dependente de si, mediante nomeação provisória com posterior indicação para a ocupação de empregos em órgãos públicos ( o Presidente da Comissão Provisória e mais dois dirigentes dessa Comissão que o acompanham estão em cargos na Prefeitura do Recife ) os principais integrantes da direção municipal provisória ( portanto, precária, instável e dependente de quem a nomeou ).

Por isso, desconhece ou desrespeita ostensivamente figuras como Alberto Salazar, ex-Presidente do CREA, os filhos de Francisco Julião, Roldão Joaquim dos Santos, que me apóia abertamente, ex-deputado estadual e presidente do TCE, ex-Secretário de Desenvolvimento Social e atual presidente da ARPE.

Também o presidente da Força Sindical no Estado, Aldo Amaral e seu vice, Rinaldo Junior, que nos apóiam, dirigentes da educação da entidade dos professores da UPE, da enfermagem estadual, dos policiais civis, do fisco estadual, docentes da UFPE e UFRPE que nos apoiam, lideranças pedetistas de vários diretórios acadêmicos, dirigentes de entidades sindicais da saúde do Estado, da Colônia de Pescadores Z-1, da Nova Central Sindical e tantos outros que o Presidente, por conduzir o partido de forma precária e provisória na capital desconhece que existam, jamais se preocupando em trazê-los para as bases do PDT.

O PDT que ele tanto alardeia está de costas para todas essas lideranças vivas dos meios sindicais e populares, que se manifestam nas redes sociais e em comentários nos Blogs mais importantes do Estado por nossa candidatura.

O presidente estadual deveria explicar porque o PDT em Recife não tem vereador, perdeu o que havia eleito em 2008 e, se não disputar essa eleição, terá passado 24 anos com apenas uma candidatura no meio desse período, em 2000. Uma vergonha !!!

Na verdade, visivelmente contrariado com a diretriz da Direção Nacional, o presidente estadual deveria, em vez de me atacar, implementá-la, como vemos agora sendo feito pelos Presidentes do PDT de outros Estados, com a aprovação das candidaturas próprias em Fortaleza, Natal, Maceió, São Paulo, Curitiba, Campo Grande e outras capitais.

Foi honroso o convite que os integrantes da Execuriva Nacional me fizeram para articular a candidatura própria em Recife. Frente a isso, porém, as forças do atraso dentro do PDT patrocinaram autêntica sabotagem à Resolução 04, seguida de fraude e ilegalidades ( votos pela coligação colhidos após as 17hs, horário de encerramento da convenção ) na tentativa de gerar um isolamento de nossa candidatura, e com isso terem como levar o PDT para outros palanques.

Por fim, Magno, esclareço que os Congressos Municipal do Recife e Estadual da Juventude do PDT decidiram apoio unânime para a candidatura própria.

Sempre de forma transparente, em defesa dos ideais de Jango,Darcy Ribeiro, Brizola e Cristovam Buarque.

Partido que não disputa eleição definha, perde representatividade, vira provisório, precário, refém de interesses privados.

Por isso, sigo em sintonia com a Executiva Nacional e a Resolução No.04 de 2012 pela candidatura própria, em especial nas capitais.

Forte Abraço.

Paulo Rubem Santiago

Dep.Federal PDT-PE

Candidato a Prefeito do Recife a partir de 4ª.feira.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro