10 de outubro de 2012 às 11h11min - Por Mário Flávio

Eduardo Guerra foi o segundo mais votado do PT, com 982 votos, mesmo com o registro de candidatura indeferido

Pouco depois de encerradas as eleições, Eduardo Guerra (PT) já tinha outras preocupações, referentes justamente ao seu processo na Justiça. Ele teve seu registro de candidatura indeferido, sob alegação de falsificação de documentos, e recorreu ao TSE para procurar mostrar que não violou a legislação. Em nota, ele esclarece que não deve nada à Justiça e agradece aos 982 eleitores que votaram nele.

Segue a íntegra da nota

Meus queridos eleitores

Muitíssimo obrigado por terem confiado em mim, e por me terem honrado com seus votos apesar das inúmeras e grandes adversidades que se apresentaram durante toda a minha campanha. Graças ao carinho e apoio que recebi de todos vocês, e ao compromisso que assumi com a defesa da democracia e das causas populares, me dispus a tentar superá-las mesmo depois da catástrofe que se abateu sobre minha família.

A vocês devo uma explicação pormenorizada e como já não sou candidato, quiçá a imprensa se disponha a divulgá-la na integra, dando o mesmo destaque que deu a notícia do indeferimento de minha candidatura, porém isso já não é tão importante.

Não fui condenado em processo algum. Fui sim, objeto da irresponsabilidade de um advogado, e da ânsia de um jovem juiz criminal, que atuando no âmbito eleitoral e desconhecendo a índole do velho guerreiro, indeferiu minha candidatura com base na experiência com os réus do seu dia a dia, julgando o infeliz incidente como o ato de um novato querendo entrar na vida política, e que, para esconder a vida criminosa pregressa, falsificou documentos. Amigos e adversários sabem da inverdade de tal afirmação. No entanto ela passou pelo crivo de doutos desembargadores em mutirão processual.

Apelei ao TSE e aguardava o resultado do recurso, porém o processo que gerou toda essa situação, morreu com o insucesso eleitoral o que não me afetou, mormente porque outra morte o apequenou, a do meu amado filho, que, assim como o apoio de vocês meus queridos eleitores, temperou ainda mais a alma deste velho guerreiro, que é e continuará sendo “ficha limpa”.

Durante todo o processo eleitoral pichações de marginais anônimos e sussurros dos covardes de índole perversa, assustados com a força de nossa campanha, propagaram aos quatro ventos que sou um “ficha suja”. A insegurança e outras fragilidades da natureza humana fizeram com que diversos colaboradores e eleitores abandonassem o barco, e alguns poucos aproveitassem a ocasião para tentar difamar o velho guerreiro, na busca submissa da proteção de candidatos que pudessem tirar proveito dos fatos, e garantir a estabilidade de seus empregos ou alguma “ajuda de custo” para complementar a renda sem contraprestação.

Foi muito difícil e desgastante manter o prumo e seguir até o fim na batalha pelos votos. Porém o resultado das urnas demonstrou que ainda não somos fortes o suficiente para enfrentar situações desse tipo, e não será desta vez que serei vereador e que vocês serão covereadores.

Mesmo eleitoralmente vencido mantenho os compromissos assumidos e a luta maior continua, pois acredito que um mundo melhor é possível e que juntos poderemos ampliar e organizar melhor nossas forças, para sermos mais efetivos na construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, onde todos tenham as mesmas oportunidades para realizarem suas potencialidades.

Agradeço aos que sem estar nos apoiando e até mesmo competindo conosco, mantiveram a civilidade e a cortesia necessárias entre os que dedicam o melhor das suas energias à construção de uma cidade civilizada e democrática.

Não fomos derrotados pela justiça e sim pela injustiça, foi ela que forjou o resultado adverso nas urnas. Meu perdão para àqueles que não sabendo construir foram bons na desconstrução, afinal, não somos todos da mesma índole.

Quanto a vocês amigos, enquanto eu estiver vivo, contem com este velho guerreiro da paz e amante da justiça.

Para frente e para alto, sempre!

Carinhosamente,

Eduardo Guerra

09 de outubro de 2012


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro