7 de janeiro de 2014 às 10h55min - Por Mário Flávio

Do Estadão

Uma gravação feita 46 dias antes do assassinato de John Kennedy, em outubro de 1963, mostra que o então presidente americano cogitava se seria adequado uma intervenção militar” no Brasil, que para os Estados Unidos vivia o risco de se tornar “uma nova Cuba”. Pouco mais de cinco meses após a conversa de JFK com o embaixador americano no País, Lincoln Gordon, o então presidente João Goulart foi deposto por um golpe militar apoiado pelos EUA.

A conversa foi revelada ontem pelo jornalista Elio Gaspari no site Arquivos da Ditadura, que marca o relançamento de quatro obras sobre o regime militar pela Editora Intrínseca – as séries As Ilusões Armadas, com dois volumes, e O Sacerdote e 0 Feiticeiro, com dois livros publicados e um terceiro em produção. O próximo 31 de março marca os 50 anos da deposição de Jango e início do regime militar, encerrado em 1985.

Na gravação, Kennedy interrompe Gordon durante uma reunião na Casa Branca e pergunta ao embaixador: “Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?”. Em seguida, o embaixador responde: “Bem, essa é a outra categoria, que eu chamo de Contingência Perigosa Possivelmente Requerendo uma Ação Rápida. Esse é o principal problema”.

O sistema de gravação instalado por Kennedy começou a operar em 1962, coincidentemente em uma conversa entre Kennedy e Gordon. O embaixador relatava com frequência a situação política no Brasil. Os EUA temiam que Jango pudesse se transformar em um “ditador populista”, como mostram gravações exibidas no filme O Dia que Durou 21 Anos, recém-lançado em DVD e BluRay.

Em um dos diálogos do filme, obtidos na mesma Biblioteca Kennedy em que Gaspari encontrou a declaração de JFK divulgada ontem, Gordon começa a dizer que Jango estaria “entregando o maldito País aos…” quando é interrompido pelo presidente: “Aos comunistas”.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro