8 de maio de 2014 às 07h55min - Por Mário Flávio

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Dois bicudos que não se beijam. Assim podemos definir a relação entre o prefeito José Queiroz (PDT) e o governador João Lyra (PSB). Há tempos que os dois não se entendem e mantém uma relação institucional. A distância das duas lideranças respingou nos filhos de ambos e a dobradinha entre o deputado federal Wolney Queiroz (PDT) e a deputada estadual Raquel Lyra (PSB), ambos disputam a reeleição, para o pleito desse ano, é uma incógnita.

Os dois estiveram juntos na última eleição no palanque que apoiou a reeleição de Eduardo Campos para o governo e tiveram uma votação expressiva na cidade. Dos mais de 49 mil votos obtidos por Raquel, 31.588 foram na Capital do Agreste. Já Wolney, em Caruaru teve 60.328 sufrágios, de um total de mais de 113 mil. Mas foi justamente nessa eleição que teve o início do distanciamento entre ambos.

Aliados de Raquel reclamam que houve uma vontade excessiva de partidários do prefeito José Queiroz para a eleição de Laura Gomes (PSB). Foram mais de 22 mil votos da socialista na cidade e pessoas próximas aos Lyra, garantem que a mesma atenção não foi dada a Raquel. Sempre que é questionado, Queiroz nega a informação e diz que pediu votos na época para os três candidatos a deputado estadual da Frente Popular, que além de Laura e Raquel, contava com Rogério Meneses (PT).

A falta de diálogo é o principal problema apontado pela herdeira da família Lyra. Ela garante que lá se vão quatro anos sem uma única conversa entre ambos. “Esse foi um dos motivos de não termos subido no palanque do prefeito José Queiroz em 2012 e de lá para cá não existe diálogo e nem aproximação. Desde o ano de 2010 que não existe conversa”, criticou. A socialista também disse que o futuro do PDT na eleição desse ano pode ser empecilho para a volta da dobradinha.

Caso a legenda feche mesmo apoio a candidatura de Armando Monteiro (PTB) para o governo, vai ser uma situação a ser analisada, mesmo com o anúncio do apoio dos Queiroz a Paulo Câmara e Eduardo Campos. O nome da vereadora Marília Arraes (PSB) é apontado como o escolhido para uma possível dobradinha com Raquel, caso não haja acordo com o grupo liderado pelo atual prefeito de Caruaru.

Wolney confirmou que não existe contato com Raquel, mas disse que a questão é recíproca e reconheceu a importância do apoio conjunto e, de leve, fez uma crítica a conterrânea. “Estou sempre aberto ao diálogo e a conversa, mesmo sem também nunca ter sido procurado, não me queixo de faltar diálogo. Conheço a história e os compromissos de João Lyra e de Raquel e isso me basta. Para mim, isso é o que importa. Creio que apoiá-la e ser apoiado por ela, seria o ideal para ambos. Temos muitos vereadores, suplentes de vereador e lideranças da cidade que já votam nos dois e torcem pela manutenção da parceria”, disse.

Sobre a possibilidade do PDT apoiar Armando Monteiro, Wolney não entende ser problema para uma possível aliança com Raquel. “Não vejo como uma coisa tem a ver com a outra. Em quaisquer circunstâncias, vamos votar em Paulo Câmara e Eduardo Campos e espero contar com o apoio de João Lyra e Raquel nas eleições desse ano”, disse. A expectativa é que até o fim de maio a situação seja definida por ambos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro