7 de julho de 2012 às 10h00min - Por Mário Flávio

Lícius e Zé Queiroz

Reportagem de Johnny Pequeno

O presidente da Câmara Municipal de Caruaru, Lícius Cavalcanti (PCdoB), candidato à reeleição em Caruaru é um figura curiosa. Desde a eleição da mesa diretora do legislativo em 2010, ele iniciou uma espécie de guerra fria com o prefeito Zé Queiroz (PDT), por este não ter apoiado o comunista para presidência do legislativo. Eles só não chegaram a um rompimento de fato porque Lícius sempre preferiu utilizar uma estratégia que confunde eleitores, aliados, adversários, e ao que parece, ele mesmo: ficar em cima do muro.

Durante toda a sua gestão como presidente do legislativo, Lícius procurou desenvolver um discurso de independência em relação à gestão municipal e, inclusive, procurou também transferir essa característica para os trabalhos da Câmara Municipal. Algo que ele conseguiu, sim, pelo menos até começarem as articulações da pré-campanha eleitoral. Porque, nesse período, o projeto do presidente era lançar uma candidatura majoritária própria a prefeito na cidade, o que poderia até se configurar como uma via alternativa no município. Ele ainda ensaiou uma conjuntura com Diogo Cantarelli (PSDB) e com Marcelo Rodrigues (PV), o que ao final de contas, não deu em nada.

E não deu porque, basicamente, enquanto Marcelo e Diogo já articulavam com a frente de oposição nos bastidores, Lícius continuava com uma postura de “nem lá, nem cá”, e não se decidiu a tempo por uma atitude de romper de vez com o governo municipal e encarar a pressão da Executiva Estadual do PCdoB, que sempre foi a favor do apoio a Queiroz. No entanto, mais próximo das convenções municipais, o comunista ainda declarou que era pré-candidato à prefeitura, postulação que em uma semana foi rifada.

A explicação foi que o partido deveria prezar pela unidade da Frente Popular, através da candidatura à reeleição do prefeito. Certo, embora nos bastidores, isso tenha significado que a pressão estadual foi mais forte e que Lícius acreditou que seu ensaio de postura independente iria provocar mais atenção por parte de Zé Queiroz. Algo que a própria executiva municipal dos comunistas admitiu que não aconteceu.

No contexto

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Lícius e parte do diretório do PCdoB fora do palanque de Zé Queiroz

Então, as relações entre ele e Queiroz continuavam frágeis, já que ele nem chegou a participar das inaugurações recentes da prefeitura. Aliás, a Convenção Municipal da Frente Popular foi realizada e Lícius não compareceu ao evento, realizando a convenção do PCdoB no mesmo horário que a da Frente Popular, o que pode soar como espécie de provocação. Mais uma vez, vinha ele ensaiando seu discurso independente.

Já que não conseguiu lançar uma candidatura por falta de estrutura, apoio e ainda devido à pressão de articuladores da base do governo, pelo menos poderia manter seu discurso do início do mandato junto à população, não subindo no palanque de Zé Queiroz. Assim, ele não entraria em conflito com o PCdoB, já que não seria uma decisão da executiva do partido, mas um posicionamento particular. E isso ainda aproximaria a imagem de Lícius dos eleitores que sempre preferiram uma candidatura alternativa.

E realmente, na semana passada Lícius, que é presidente do diretório local do PCdoB, e os outros integrantes da Executiva Municipal realizaram uma reunião em que ficou definido que o comunista não subiria no palanque do governo. Isso o editor deste blog, Mário Flávio, publicou com exclusividade ao final da tarde da quarta-feira, 4 de julho, pouco depois dessa reunião. O problema é que mais uma vez Lícius se valeu de sua tática “nem lá, nem cá” e procurou desmentir a notícia publicada, justamente por ter novamente sofrido pressão de articuladores da base do governo e da Executiva Estadual.

Mas, o que Mário adiantou foi confirmado dois dias depois, porque Lícius viajou a Recife na sexta, 6 de julho, junto com os secretários Lino Portela e Gil Bobinho, para comunicarem a decisão de não participação no palanque de Zé Queiroz. Ou seja, mais uma vez Lícius não agiu da forma como realmente pensava, e ainda procurou desmentir uma notícia que informava algo que já havia sido definido, o que demonstra o medo de ser pego de surpresa pela própria Executiva Estadual.

Nesse contexto, o comunista ameaça perder credibilidade junto a imprensa e diante do próprio eleitorado, não pelas suas atitudes, mas por não saber bancar claramente suas intenções e por parecer estar sempre no aguardo da outrora esperada atenção do prefeito Zé Queiroz, como se seu discurso de independência servisse mais como moeda de barganha do que identificação ideológica com seus eleitores.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro