5 de janeiro de 2013 às 14h09min - Por Mário Flávio
Adolfo José

Presidente da Associação de Transportadores de Passageiros de Caruaru, Adolfo defende a atualização

Movimentos estudantis e de outras classes já começaram a se mobilizar em Caruaru para discutir como evitar um possível reajuste na tarifa do preço de passagens de ônibus na cidade em 2013, embora isso nem tenha sido colocado em pauta para a prefeitura ainda. No entanto, para o presidente da Associação dos Transportadores de Passageiros de Caruaru, Adolfo José, ex-vereador, o aumento é uma necessidade emergente para os empresários do setor, já que haveria uma defasagem de 30% na tarifa de serviço de transporte público. Por isso, a associação deve apresentar nas próximas semanas uma planilha de informações à Autarquia Municipal de Defesa Social Trânsito e Transportes (DESTRA), com os custos atualizados da prestação do serviço no município e com um percentual previsto para reajustar o valor das passagens.

No contexto

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“Há quatro anos viemos conversamos com o prefeito e com a Destra sobre a necessidade de ajustes anuais, pois todo ano temos dissídios coletivos, que são ajustes dos salários, além do reajuste no valor de equipamentos de manutenção. Esses repasses são naturais e, anualmente, são ajustes relativamente pequenos. Mas, quando você acumula três anos, isso fica muito grande e o sistema fica defasado. Às vezes se questiona se tem reajuste em pauta, mas isso é normal. Recife tem anualmente um reajuste tarifário e é um percentual pequeno por ser anual. Aqui  em Caruaru temos quatro dissídios coletivos, mas sem novos ajustes de tarifas, isso significa que estamos defasados 30%”, argumentou Adolfo.

Ainda segundo ele, que é diretor de uma das linhas de ônibus da cidade, há fatores técnicos que influenciam na necessidade de reajuste. “No que se refere ao óleo diesel, por exemplo, houve uma evolução gradual nos tipos de óleo utilizados, hoje utilizamos um classificado como S10, que tem mais qualidade e polui menos, mas é mais caro, que é de R$ 2,10. Os pneus também tem melhorado a qualidade, mas o preço também, assim como as peças de manutenção. E de outra forma, há alguns anos não era obrigatório instalar equipamentos de acessibilidade e mobilidade nos ônibus. Mas hoje precisamos instalar todos os mecanismos que dêem suporte a isso. Até mesmo as condições das vias em que os veículos trafegam interferem nos custos de manutenção. Há áreas asfaltadas na cidade e outras não, então em algumas ruas os ônibus enfrentam problemas para passar por ruas com buracos e outros obstáculos, embora o governo atual tenha sido o que mais investiu nessa infraestrutura”, justificou.

É preciso lembrar, todavia, que em fevereiro de 2011, as tarifas foram atualizadas, de R$ 1,60 para R$ 1,80, o que representou um reajuste de 12,5%, mas os empresários do setor acreditam ser preciso avaliar novamente o valor do serviço. “A gente tá preparando uma planilha que vai mostrar o que aconteceu nesses quatro anos em que não houve reajuste, no que se refere a todos os custos de manutenção dos sistemas de transporte público. Vamos apresentar à prefeitura e ao povo, para que a população tome ciência da importância de atualizar os valores. Acredito que a Destra deve convocar o Conselho Municipal de Transporte (COMUT) para discutir a viabilidade dessa proposta”, completou Adolfo, que ainda não soube dar uma previsão de qual seria o percentual de atualização tarifária pretendida para o município.

Ainda assim, quando os valores foram reajustados da última vez, a DESTRA exigiu das empresas a melhoria dos serviços, começando pela renovação de 25% da frota de ônibus. Além disso, as empresas se comprometeram a praticar a tarifa promocional de R$ 1,00 aos domingos e em quatro feriados nacionais: 1º de janeiro, 1º de maio, 7 de setembro e 15 de novembro. À época foi levantado um estudo que apresentasse o aumento dos insumos usados entre 2009 e 2010, para justificar o repasse na tarifa.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro