3 de novembro de 2013 às 08h54min - Por Mário Flávio

Do Estado de São Paulo

Apesar de ter intensificado sua atuação política nos últimos quatro meses, a presidente Dilma Rousseff não concretizou a previsão do marqueteiro João Santana de que até novembro recuperaria a popularidade perdida na onda de protestos iniciada em junho, informa o repórter Daniel Bramatti. A recuperação foi parcial e está parada há dois meses. Diferentes segmentos da sociedade – em especial os mais jovens, os mais escolarizados, os de renda mais alta e os moradores de municípios médios e grandes – nunca tiveram tantas divergências em relação à atuação da presidente.

Nos últimos quatro meses, a presidente Dilma Rousseff lançou novos programas, viajou mais pelo País, denunciou a espionagem dos Estados Unidos em discurso na ONU, distribuiu máquinas a centenas de prefeitos e fez três pronunciamentos em rede nacional de televisão – mas nem assim concretizou a previsão de seu marqueteiro, João Santana, de que até novembro recuperaria a popularidade perdida na onda de protestos de junho.

A recuperação de Dilma foi parcial e está empacada há dois meses – depois que a avaliação positiva do governo desabou, entre junho e julho, houve uma leve melhora, em agosto, mas desde então nada mudou. Além disso, houve um acirramento de posições: diferentes segmentos da sociedade – jovens e velhos, ricos e pobres – nunca divergiram tanto sobre a gestão da presidente.

Pesquisa lbope feita na primeira quinzena de junho, antes que os protestos contra aumentos nas tarifas de ônibus ganhassem caráter nacional, mostrou que 55% dos brasileiros consideravam o governo bom ou ótimo. Um mês depois, a taxa caiu para 31%. Em termos absolutos, o número de eleitores satisfeitos com a gestão passou de 77 milhões para 43,5 milhões – uma queda de 33,5 milhões em 30 dias.

Em agosto, depois de Dilma responder à pressão das ruas com o lançamento de “cinco pactos afavor do Brasil”, a avaliação positiva do governo subiu sete pontos porcentuais – é como se 10 milhões de brasileiros recuassem de sua postura de animosidade.Mas 23,5 milhões não voltaram para o ninho governista -nem em agosto, nem em setembro, nem em outubro.

Nesse contingente que não se deixou convencer pelas políticas de Dilma e pelo marketing de João Santana, há eleitores de todos os tipos, mas alguns segmentos se destacam: os maisjo-vens, os mais escolarizados, os de renda mais alta e os moradores de municípios médios e grandes.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro