3 de agosto de 2012 às 14h37min - Por Mário Flávio

Final do debate também deixou mais claro estratégias dos candidatos

O quarto bloco do debate dos prefeituráveis na Rádio Cultura do Nordeste, em Caruaru, nesta sexta-feira (03), esquentou e ganhou contornos mais diretos e pessoais, principalmente entre o candidato à reeleição Zé Queiroz (PDT) e a candidata Miriam Lacerda (DEM). Esse foi o ponto alto do debate, que revelou um pouco da inexperiência de Miriam e de Fábio José (PSOL), algo normal e já esperado, mas também mostrou que o prefeito continua confiando no discurso das parcerias com os governos federal e estadual. No entanto, o debate revelou-se também com um nível interessante de questionamentos.

No contexto

Candidatos começam confronto discutindo Saúde e Educação

Comparação entre gestões marca confronto entre candidatos no 2º bloco

No 3º bloco, candidatos discutem Trânsito e Orçamento Participativo

Iniciando as perguntas, Miriam Lacerda questionou Fábio José sobre a necessidade da transparência pública na utilização de recursos públicos pela administração municipal. Segundo Fábio, isso deve ser prioridade para um gestor. “Eu acredito que uma gestão municipal deve estar atenta à adequação com Lei de Acesso à informação e disponibilizar claramente como utiliza os recursos para o desenvolvimento da cidade”, respondeu.

No entanto, Miriam aproveitou esse gancho do candidato do PSOL para alfinetar a gestão atual. “É muito importante saber, por exemplo, quanto exatamente o governo atual gastou com placas de obras, sinalização e divulgação de ações da prefeitura, algo que não está claro para a população”, criticou. A ideia de Fábio seria, na verdade, implantar uma auditoria no início da próxima gestão, para avaliar tudo que foi gasto na gestão atual.

Segundo Zé Queiroz, os gastos da prefeitura não extrapolaram os limites. “Nossos gastos não ultrapassaram os limites orçamentários. O foco de nossas ações, em parceria com os governos federal e estadual, foi o desenvolvimento de Caruaru”, ressaltou o prefeito.

Paralelo a isso, Fábio apresentou durante o bloco que a últimas gestões municipais falharam principalmente no desenvolvimento da Saúde e da Educação, que não estariam proporcionando à população serviços adequados. Na verdade, Fábio usou a si mesmo como exemplo, para dizer que teve dificuldades para ter acesso  a essas duas infraestruturas, tentando fortalecer seu discurso de identificação popular.

Aliás, a discussão foi tomando uma forma mais direta entre Queiroz e Miriam quando o próprio Fábio José questionou a democrata sobre o que precisa ser feito para melhorar a Saúde em Caruaru, ao que a candidata voltou a afirmar que a Saúde na cidade está caótica. “Temos falta de médicos, unidades de PSF sem estrutura e o prefeito fala em uma parceria com o governo estadual que não está acontecendo de fato. A nossa proposta é reconstruir a Saúde de Caruaru e oferecer médicos e uma estrutura de qualidade, aplicando adequadamente os recursos destinados à Saúde”, explicou.

Durante o último bloco do debate, Miriam chegou a apresentar dados do Ministério da Saúde apontando que recursos de R$ 39 milhões destinados a Caruaru nos últimos seis meses não estariam sendo utilizados corretamente na cidade, ao que Zé Queiroz replicou categoricamente. “A candidata Miriam está confundindo dados e não está apresentando o que condiz com a realidade, estamos construindo uma completa rede de saúde em Caruaru, a maior do interior do estado, estamos convocando novos médicos, reformando unidades e vamos instalar novas UPAs, algo bem distante do que acontecia na gestão de Tony Gel, que teve 8 anos para investir no desenvolvimento da cidade, mas não o fez”, salientou.

Em outra perspectiva, Miriam defendeu que a atual gestão não atuou como deveria e que estaria se confiando demais em aproximar sua imagem dos governos estadual e federal, enquanto o desenvolvimento da cidade está mais devagar do que outras cidade do Agreste. Em resposta, o prefeito foi irônico. “Acredito que Miriam não circula pela cidade e não acompanha as obras que implantamos nesta gestão, acho que ela fica acanhada ou sente vergonha de visitar os três parques da cidade, a UPA Municipal, a escola em tempo integral e que tem até vergonha das obras de reordenação do trânsito e da implantação da Destra; na verdade, ela mostra que quer colocar o desenvolvimento de Caruaru para baixo durante a campanha”, rebateu.

Em um embate que consistiu em boa parte no personalismo político, as estratégias dos candidatos de fato foram delineadas nesse debate. Enquanto Queiroz se apoia em obras municipais, no alinhamento dos três níveis de governo e na comparação de gestões, a candidata democrata investe nas falhas de gestão, e entre o embate direto dos dois, Fábio busca se consolidar com uma proposta de governo que prevê participação popular.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro