16 de maio de 2012 às 18h20min - Por Mário Flávio

Enquanto o Governo de Pernambuco não adianta de forma concreta a criação da Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), quase oito meses depois da criação da Lei nº 14.404, de 22 de setembro de 2011, que estabelece sua criação, com responsabilidade de gerir a TV Pernambuco; o Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), o Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), outras entidades estaduais e vários representantes da sociedade civil assinaram um manifesto que questiona diretamente por qual motivo o governador Eduardo Campos ainda não seguiu com novos passos no desenvolvimento da EPC.

Na verdade, o manifesto está estimulando entre usuários das redes sociais a hashtag #criaEduardo, e a justificativa do pedido é que Pernambuco iria desenvolver uma TV Pública de qualidade no estado. Para assinar o manifesto, basta enviar a confirmação da assinatura para rlasalvia@cclf.org.br e ivan@cclf.org.br.

FOPECOM assinou a favor do manifesto que pede a criação da EPC

Leia o manifesto publicado no portal Ombuds PE

Cria, Eduardo!
Manifesto pela implementação da Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC)

Em março de 2010, um Grupo de Trabalho (GT) composto por integrantes da sociedade civil pernambucana assumiu a tarefa de propor as bases para a reformulação da TV Pernambuco, para que ela pudesse tornar-se uma emissora realmente pública, com recursos e com sustentabilidade política e econômica. Num exemplo a ser seguido por emissoras públicas, várias delas vivendo momentos semelhantes de reflexão e transformação.

O Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) participou de todo esse processo, juntamente com centenas de outras representações, individuais ou coletivas. Artistas, produtores independentes, estudantes, acadêmicos, cidadãos e cidadãs interessados em fazer valer seus direitos estiveram nessa caminhada. Participamos de seminários, contribuímos com propostas que constam do documento final do GT. Uma construção coletiva que repercutiu inclusive em outros estados do País. Criou-se a expectativa da criação da primeira emissora estadual realmente pública do Brasil. Uma emissora com participação popular garantida em conselho, com autonomia política e sustentabilidade econômica, com espaço para a produção independente, popular e comunitária.

Acompanhamos o processo de proposição do Projeto de Lei que finalmente tornou-se a Lei nº 14.404, de 22 de setembro de 2011, que autoriza a criação da Empresa Pernambuco de Comunicação. Uma instância que seria gerida com plena participação da sociedade civil, representada por seis integrantes de um conselho.

Quase oito meses depois da aprovação da lei, a EPC, infelizmente, ainda não saiu do papel. Já existe estatuto. Até uma detalhada proposta de orçamento para o primeiro ano de funcionamento já foi devidamente encaminhada pela atual direção às instâncias superiores do poder executivo estadual.

Perguntamos: o que falta, governador? O que falta para que a nova empresa saia do papel?

Projeto não é. Ideias não são. Lei, estatuto, orçamento, também não são. Falta de compromisso dos que hoje tocam o processo de transição certamente não é.

Quem acompanha a gestão da diretoria que assumiu o compromisso e o sacrifício de comandar o processo, pode ver o que está acontecendo. A TVPE já transmite novos programas, por exemplo, em parceria com produtores independentes que muitas vezes trabalham na base da “guerrilha”. Ainda sem autonomia financeira e com orçamento bastante limitado, a emissora hoje sofre com a impossibilidade de realizar um planejamento adequado, abrindo espaços e fomentando a produção local, por exemplo.

A transmissão, embora ainda fique devendo na Região Metropolitana do Recife, melhorou no interior, especialmente em locais como Petrolina, Caruaru, Garanhuns e Fernando de Noronha. Mas ainda falta muito. Afinal de contas, não se faz televisão sem os devidos recursos. É preciso equipamentos, pessoal e material para produzir e transmitir com qualidade. A criação imediata da EPC, seguida de um fundamental aporte inicial, é o que se precisa para seguir com esta transformação.

Tendo em vista a pujança da economia local e o volume de gastos alocados em forma de compra de mídia em empresas privadas, nos custa acreditar que o problema seja dinheiro. Em se observando a velocidade com que outros investimentos são feitos por este governo, também não pode ser aceita a hipótese de problemas com a burocracia estatal, visto que este processo já se arrasta por mais de dois anos.

Mas ainda dá tempo, governador. Tornar a Empresa Pernambuco de Comunicação uma realidade é compromisso antigo de sua gestão. Convidada, a sociedade civil contribuiu e vem agora cobrar: Cria, Eduardo!

Assinam este manifesto:

Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom)

Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF)

Centro Acadêmico de Jornalismo da UFPE

Auçuba – Comunicação e Educação

Ong Alto Falante

Grupo Cactos

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Federação Pernambucana de Cineclubes (FEPEC)

Fórum dos Músicos de Pernambuco

Parabelo Filmes

Coletivo Contravento

Coque Vive

Grupo Curumim

Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual (STIC/PE)

Movimento Mudança

Núcleo de Comunicação Bombando Cidadania


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro