Conflito interno e crise no INSS pesaram para troca no comando da autarquia

Mário Flávio - 13.04.2026 às 15:02h

A substituição no comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi marcada por desgaste interno e divergências entre o então presidente do órgão, Gilberto Waller, e o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. Segundo interlocutores ligados aos dois, a relação entre eles era considerada conflituosa, o que acabou pesando decisivamente para a saída de Waller.

De acordo com aliados do ex-presidente, a demissão ocorreu de forma inesperada. Waller teria sido informado da decisão pelo secretário-executivo da pasta, e não diretamente pelo ministro, o que ampliou o desconforto nos bastidores da Previdência.

A crise que envolve o INSS tem origem em investigações sobre fraudes bilionárias no órgão, que colocaram o ex-presidente Alessandro Stefanutto no centro das denúncias. Foi nesse cenário que Wolney Queiroz assumiu o ministério, poucos dias após a troca no comando da autarquia, em um movimento articulado pelo Palácio do Planalto.

À época, a substituição foi conduzida com participação de nomes estratégicos do governo federal, como Jorge Messias, Gleisi Hoffmann e Sidônio Palmeira, evidenciando o grau de atenção dado à crise dentro do governo.

A oficialização da troca ocorreu ainda pela manhã, com a publicação da nomeação da servidora de carreira Ana Cristina Silveira para a presidência do INSS às 10h57. Poucos minutos depois, o site do órgão divulgou uma nota destacando o que classificou como uma “marca histórica de produtividade”, com a redução da fila de atendimentos de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março.

A sequência de acontecimentos reforça a tentativa do governo de equilibrar a narrativa entre a crise institucional e os resultados administrativos do órgão, em meio à pressão por respostas diante das denúncias e da necessidade de reorganização interna da Previdência.