25 de maio de 2013 às 06h25min - Por Mário Flávio
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Empresários e manifestantes discutem justificativas para reajuste tarifário

A reunião do Conselho Municipal de Transporte em Caruaru, na tarde desta sexta-feira (24), se concentrou na análise da viabilidade das linhas de ônibus da cidade, bilhetagem eletrônica e, o mote imediato: o reajuste de tarifas de ônibus. Aliás, o presidente do Comut, Sirone Rodrigues, cobrou celeridade na votação dos valores de aumento pautados nas últimas reuniões do Conselho. Mesmo assim, as discussões culminaram apenas no agendamento de novo encontro, no dia 03 de junho.

De um lado, continua análise feita pela Destra, que tomou como base um aumento para R$ 2,10, enquanto a Associação de Transportes Públicos segue defendendo um reajuste para R$ 2,45. E em paralelo, continua a persistência desconfiança dos movimentos estudantis, que não aceitam o aumento das passagens, pelo menos não sem uma alternativa para a avaliação específica do gerenciamento de recursos e contas das empresas de transporte. Para o presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Caruaru, Gleison Rodrigues, deveria ser divulgada uma auditoria nas empresas. “Em todas as defesas de reajuste tarifários, apresenta-se uma planilha baseada na atualização de gastos das linhas de ônibus, por que não há uma auditoria das contas dessas empresas, para sabermos se há utilização dos equipamentos adquiridos, o que justifique um possível aumento e, a partir daí, realizar uma audiência pública, ou plebiscito para que a população discuta de forma mais ampla a necessidade de um aumento”, defendeu o estudante, que no início da reunião, encabeçou um pequeno protesto em frente à Destra, com participação de professores da ATEC.

Para o presidente do Comut, Sirone Rodrigues, haveria possibilidade de se apresentar dados de fiscalização, que é feita pela Destra. “Caso o movimento estudantil deseje, pode enviar um ofício com essa solicitação, que será analisada juridicamente. Não poderíamos dar uma resposta neste momento se seria possível fazer algum tipo de auditoria, por ser necessária uma avaliação. Contudo, é preciso salientar que regularmente a Destra colhe dados sobre o funcionamento das empresas de transporte na cidade e podemos informar como procede essa fiscalização sem problemas”, explicou. No entanto, a condição dos estudantes é pressionar os representantes de linhas de ônibus e adiar a votação das sugestões de aumento das passagens, pelos menos até que eles tenham conhecimento do gerenciamento de recursos das empresas.

Na contraparte, Ricardo Henrique, diretor da Visconde, que atualmente atua em parceria com a Capital do Agreste na linha Rendeiras/North Shopping, ressaltou que o aumento deve acontecer justamente por conta do período de congelamento das tarifas. “Entramos no vigésimo mês sem reajuste, o que estamos trazendo para essa mesa é um problema que este setor está enfrentando, por absorver há dois anos a mesma tarifa”, argumentou o empresário, que destacou como fatores que devem pesar na defesa do reajuste: as variações de preço graduais nos tipos de óleo utilizados nos veículos, a aquisição de materiais melhores, como pneus e peças de manutenção, instalação de equipamentos de acessibilidade e mobilidade nos ônibus e até condições de tráfego urbano que possam afetar o estado dos veículos.

Houve espaço ainda para leitura do pedido de desligamento enviado pelo Sindecc ao COMUT, o que foi lamentado pelos membros presentes na reunião. Ainda na oportunidade, os integrantes deram início as primeiras discussões sobre a adoção do sistema de bilhetagem eletrônica na cidade. Mas, sem haver um entendimento entre principais categorias – empresários e estudantes -, e sim mais reivindicações sobre a qualidade do serviço de transporte oferecido na cidade, os conselheiros decidiram que as reuniões do COMUT serão realizadas na primeira segunda-feira de cada mês e não mais em condição trimestral.

Estiveram presentes representantes da Autarquia Municipal de Defesa Social, Trânsito e Transportes (Destra); da Câmara de Vereadores; do Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos de Passageiros de Caruaru (AETCP); Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Caruaru e da Região do Agreste de Pernambuco (ATTRCRAPE); e da União dos Estudantes de Caruaru (UESC).

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Representação de poucos estudantes no início da reunião do COMUT


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro