9 de agosto de 2012 às 08h18min - Por Mário Flávio

No jogo de forças das eleições de Caruaru, o PSOL busca consolidar uma via alternativa entre os eleitores indecisos da cidade, mas bancar uma nova linha de discurso ideológico em meio a dois grupos políticos que polarizam os votos na Capital do Agreste não é fácil. Ainda mais quando o candidato a prefeito pelo partido, Fábio José, ainda precisa passar por cima de sua própria inexperiência política e preencher um espaço de forma independente, sem se tornar mais um meio de manobra eleitoral de figuras políticas tradicionais na cidade.

Até agora, ainda não vimos realmente se Fábio apresenta, de fato, um discurso independente. Sabemos que ele de certeza vai contra as ações da gestão Zé Queiroz (PDT), algo que deixou claro no primeiro debate entre candidatos em Caruaru. Por tabela, seu discurso acaba se encaixando em alguns pontos com as críticas da candidata Miriam Lacerda (DEM) direcionadas diretamente para o prefeito. No entanto, ele garante que de forma alguma seu discurso segue a mesma linha proposta pelos Democratas, o que seria inviável, tendo em vista que o PSOL tem uma ideologia de esquerda mais radical que se choca com os movimentos de direita.

No entanto, é válido analisar que as declarações de Fábio nas últimas semanas ganharam contornos bem mais próximos do que o vice-governador João Lyra (PDT) vem afirmando categoricamente em Caruaru: que é necessário renovar a forma de administrar a cidade. Na verdade, Fábio levanta a bandeira da renovação política desde a época que era pré-candidato, mas só agora é que começa a citar com força o nome de João. Antes, o que ele fazia questão de frisar na verdade era que os administradores anteriores da cidade não planejaram adequadamente o desenvolvimento da Capital do Agreste.

Agora em seu discurso também há espaço para defender o posicionamento de João e sua carta aberta, assim como há espaço para criticar a articulação feita para esvaziar a última recente reunião do vice com os presidentes de partidos em Caruaru, na terça-feira (07). O que faz sentido estrategicamente, pois os dois discursos se conciliam e são de esquerda, ainda mais quando a candidatura de Fábio foi acolhida por dois aliados de longa data de João Lyra: o ex-vereador Zé Carlos Menezes e o empresário João de Salú. Nesse quadro, um posicionamento direto do pedetista cairia como uma luva para os planos de Fábio de ganhar musculatura em Caruaru.

Agora, se em algum momento fizer parte dos planos de João acolher Fábio na formação de um novo grupo em Caruaru, vale lembrar que no futuro, o PSOL poderia voltar a ficar em segundo plano, em favor de uma, quem sabe, candidatura de Raquel Lyra nas eleições próximas. Contudo, é mais fácil pensar na jogada atual, em que a estratégia adequada é justamente Fábio mostrar um posicionamento firme e este se refere à proposta de renovação do quadro político, o qual se converge de forma conveniente em apoiar a postura de João. Algo que outros políticos têm feito, como é o caso do presidente Lícius Cavalcanti (PCdoB). A diferença é que Fábio aparentemente sofre bem menos pressão do que outros políticos que compõem a base do governo em Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro