9 de fevereiro de 2013 às 11h55min - Por Mário Flávio

Entrevista publicada no Jornal Vanguarda

Esta semana, VANGUARDA conversa com o coronel Clovis Cavalieri, o atual secretário de Governo. A entrevista faz parte de uma série de reportagens que o jornal está fazendo com as principais pastas da atual gestão. Responsável pela criação da Destra, ele fala das principais dificuldades da municipalização do trânsito em Caruaru, afirmando que a mudança de comportamento na população já é uma realidade. “Hoje já vemos motoristas parando na faixa para dar passagem aos pedestres”, comentou o coronel, que é reformado da Aeronáutica e que há cinco anos está atuando na cidade. Na nova função, ele acredita que poderá dar uma nova contribuição para o desenvolvimento da cidade, orientando o prefeito e atuando em sintonia com as demais secretarias.

Jornal VANGUARDA – O senhor foi responsável por uma ampla mudança de comportamento em Caruaru, com a criação da Destra. Mais do que colocar guardas nas ruas, tivemos a municipalização do trânsito em vários contextos. Quais as dificuldades na implantação dessa importante e fundamental autarquia?
Clovis Cavalieri – Realmente, uma das grandes metas com a criação da Destra, além de municipalizar o trânsito, colocando Caruaru dentro das principais cidades do Brasil em termos de organização e modernidade, foi a de trabalhar intensamente na mudança de hábitos aliados à formação cultural de nosso povo, mais acostumado a um trânsito sem os ditames da ordem e disciplina, padrões que determinam o crescimento firme e constante de uma cidade do porte e desenvolvimento em que se encontra a Capital do Agreste. Encontramos algumas dificuldades na implantação, até porque tivemos que começar tudo da estaca zero. Estrutura administrativa e operacional. Sabíamos que iríamos encontrar resistências às mudanças, mas que, com o tempo, tínhamos a certeza de que tudo iria sendo entendido e os bons frutos seriam colhidos. Deparamo-nos com três fases na estruturação de um trabalho dessa natureza: a primeira é a resistência, a segunda a aceitação e a terceira a fase de acomodação, ou seja, as pessoas já encontrando as facilidades de conviver com as novas regras estabelecidas. Lembrando que essas regras são as leis previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Hoje temos uma cidade bem sinalizada, com monitoramento de câmeras, zona azul eletrônica, agentes de trânsito e Guarda Municipal, semáforos modernos, abrigos de ônibus, ruas e avenidas com placas toponímicas (nome das ruas), regularização do serviço de mototáxi e outras atividades desenvolvidas.

JV – Na época houve muitas queixas da população em relação aos agentes de trânsito. Agora, as queixas diminuíram. O que mudou: o motorista ou o agente?
CC – Acredito que os dois segmentos mudaram. Hoje existe uma maior conscientização tanto da população quanto dos agentes de trânsito. No começo da implantação, tanto os cidadãos quanto os agentes precisavam de um tempo de maturação para absorver melhor os problemas e equacionar com mais propriedade as soluções e melhorar a convivência. O que percebemos atualmente nas ruas são carros parando para que o pedestre atravesse na faixa. Isso já é um bom sinal de que a educação no trânsito está chegando a passos largos em nossa cidade.

JV – O senhor agora ocupa uma função um pouco mais complicada, principalmente no que diz respeito ao campo político, que é a Secretaria de Governo. Quais as principais dificuldades que o senhor está enfrentando nesse novo trabalho?
CC – Primeiramente, quero dizer que estou me sentindo bem, trabalhando mais próximo ainda do prefeito José Queiroz, que tem demonstrado o quanto está preocupado com o futuro de Caruaru e não está medindo seus esforços em deixar-me mais ciente dos problemas que a PMC tem para resolver e também mostrando as soluções que já temos e as que devemos encontrar para equilibrar ainda mais as finanças do município, continuando com o desenvolvimento urbano e rural, dando prioridade às questões sociais, levando-se em consideração que a maioria das prefeituras em nosso país vive momentos de expectativa com relação a sua vida econômica. As dificuldades existem para serem vencidas. Portanto, estamos trabalhando para implantar um governo comprometido fundamentalmente com a garantia igualitária dos direitos econômicos, sociais e políticos de toda a população, com foco especial para os setores mais excluídos, contribuindo para a erradicação da pobreza extrema, que ainda persiste em nossa nação, em parceria com os governos Estadual e Federal.

JV – Na gestão passada, o prefeito teve nessa secretaria o suplente de senador Douglas Cintra (PTB) e depois o vice-prefeito Jorge Gomes. Na época, a pasta tinha, entre outras funções, manter contato com a Câmara e houve muitas falhas e problemas. Com a criação de secretarias parecidas – Relações Institucionais e Participação Social, além da Gestão Integrada -, o senhor acredita que o seu trabalho pode ser facilitado?
CC – Acredito que sim, pois estamos fazendo um trabalho de parceria entre as secretarias, com o objetivo de criar um ambiente harmônico e que consiga traduzir na prática o que o governo tem como prioridade estabelecida para uma gestão moderna e de qualidade. Sinto que essa nova estrutura deverá trazer resultados muito positivos para esse novo governo do prefeito José Queiroz.

JV – Algumas pessoas criticam o seu comportamento (muito reservado). O senhor pensa em mudar de estilo nessa pasta? Por quê?
CC – Esse comportamento que as pessoas chamam de “reservado” talvez seja por não me conhecerem melhor, até porque ter um pouco de reserva na vida é ser prudente. O que procuro ter é discrição em minhas atitudes.

JV – O prefeito tem uma base muita ampla, com 17 vereadores na Câmara. O senhor acha que isso deu mais responsabilidade de fazer um governo mais participativo?
CC – Acredito que isso também influenciou para que o prefeito José Queiroz, nesse novo governo, ampliasse mais os seus objetivos, criando metas de participação, transparência e controle social, fazendo da prefeitura um agente transparente, democrático, aberto ao controle social e à interlocução com a população. Com isso, naturalmente aparece a elevação de uma nova consciência política, de respeito às pessoas na sua diversidade e à coisa pública com sua função social.

JV – E o Orçamento Participativo que o senhor estava coordenando? Quais os resultados das reuniões que foram realizadas em 2012? Saiu algum projeto da comunidade?
CC – O Orçamento Participativo na PMC foi criado em 2012 com o objetivo do governo, junto com a população, estabelecer as prioridades escolhidas durante as plenárias realizadas nas regiões em que a cidade ficou dividida, para que entrassem na LOA (Lei Orçamentária Anual) e fossem executadas durante a gestão. Sentimos que foi um trabalho que obteve êxito, com um resultado muito bom, onde pudemos perceber que a participação da população nas escolhas de suas prioridades, tanto na área de saúde, educação, assistência social, obras e outras, expressou a vontade dos moradores de Caruaru, que demonstraram a sua motivação e satisfação em poder participar da vida da cidade e especificamente do seu bairro. Esse trabalho atendeu à região urbana e rural do município. A partir deste ano, com a criação da Secretaria de Participação Social, que tem como secretária Louise Caroline, esse trabalho será ampliado e aperfeiçoado, dando a todos a oportunidade de contribuir pelo crescimento e progresso de Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro